Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Antonio Tajani é o novo presidente do Parlamento Europeu

O italiano Antonio Tajani venceu as eleições para presidente do Parlamento Europeu, depois de quatro rondas de votações no plenário em Estrasburgo

FREDERICK FLORIN/ Getty images

Quatro rondas de votações depois, o candidato do PPE vence as eleições para a presidência da instituição europeia com 351 votos, contra os 282 votos do socialista Gianni Pittella. O desentendimento prévio entre o PPE e a S&D deixa esta eleição marcada na história do Parlamento, num dia preenchido por um xadrez de negociações e decisões

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

em Estrasburgo

Jornalista

Foi uma eleição como não se via e vivia há muito tempo no Parlamento Europeu. Escolher o novo presidente, sucessor do socialista Martin Schulz, foi tarefa para quatro rondas de votos durante quase doze horas. O italiano Antonio Tajani, candidato do PPE, acabou por ser eleito o novo presidente do Parlamento Europeu com 351 votos dos 633 válidos, contra 282 votos do socialista Gianni Pittella.

O anúncio foi feito às 20h05 por Martin Schulz, presidente cessante do PE, que chamou o seu sucessor para ocupar o lugar de presidente do Parlamento. Schulz regressou à bancada do grupo dos socialistas e democratas (S&D).

"Houve entre nós hoje um confronto democrático. A partir de hoje serei o presidente de todos, respeitarei todos os deputadod e todos os grupos", disse Tajani, no seu discurso de agradecimento, dedicando o resultado às vítimas do terramoto que atingiu Itália. Tajani elogiou o trabalho de Martin Schulz, sublinhando que foram "leais um com o outro". Agradecendo a participação numa eleição "longa" como esta, o novo presidente conclui: "Amanhã começaremos a trabalhar. Cumprirei as promessas que hoje aqui assumi."

23 anos de experiência europeia

Tajani, 63 anos, é vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE) que o escolheu para a presidência da instituição. O italiano é também membro do comité de presidência do Forza Italia, partido de centro-direita italiano, fundado e liderado por Silvio Berlusconi. A larga experiência europeia e visibilidade nas instituições comunitárias nos últimos 23 anos distinguiam-no dos restantes cinco candidatos dos outros grupos políticos.

Entre 1994 e 2008, foi deputado no Parlamento Europeu e chegou a vice-presidente da Comissão Europeia, na equipa de Durão Barroso. Foi comissário dos Transportes entre 2008 e 2010 e esteve responsável pela Indústria e Empreendedorismo entre 2010 e 2014. Nessa altura, regressa ao Parlamento Europeu como vice-presidente.

Foi enquanto comissário da Indústria que o seu nome apareceu nos últimos tempos, devido ao escândalo da manipulação dos testes de emissões de gases feita pela indústria automóvel, como o caso confirmado da Volkswagen.

Em outubro de 2015, o “Financial Times” avançou a informação de que Bruxelas tinha conhecimento dessa manipulação dos testes desde 2013, depois de terem sabido da existência de uma carta enviada pelo comissário do Ambiente a Antonio Tajani, sugerindo as medidas que deveriam ser aplicadas. Tajani foi acusado de não exercer as suas responsabilidades, garantindo desconhecer a existência das manipulações dos testes.

Antes da política

Para trás da sua experiência política e em particular nas instituições europeias, ficam outras ocupações profissionais. De acordo com a informação disponibilizada no site da instituição a que vai presidir, antes da sua ligação às instituições europeias, Tajani foi oficial da força aérea italiana entre 1974 e 1975.

Mais tarde, e durante dez anos, foi jornalista, enviado especial no Líbano, União Soviética e Somália, no início dos anos 1980. Entre 1987 e 1993, foi diretor do diário “Il Giornale” em Roma. Segundo o jornal “Politico”, de entre todos os candidatos nesta eleição, Tajani é o que tem mais experiência na política europeia, somando 23 anos. O “Financial Times” descreve-o como “taticamente astuto” na política mas não um homem para “o debate de políticas complexas”.

Nas intervenções iniciais de apresentação, ainda antes do arranque da primeira votação, Antonio Tajani falou das suas prioridades se chegar a presidente. “Acredito na Europa, mas temos de mudar. Precisamos de um Parlamento forte e precisamos de um bom presidente, um bom orador, um bom presidente que trabalhe em nome de todos”, afirmou.

“Ponho-me à disposição de defender a vontade do Parlamento perante o Conselho e a Comissão”, acrescentou, fazendo referência a temas como o combate ao terrorismo, as migrações, as alterações climáticas, a agenda digital, o Brexit e o desemprego. “Não tenho um programa a apresentar porque o presidente não pode ter um programa pessoal”, concluiu.

O presidente do Parlamento Europeu será eleito por dois anos e meio. Schulz foi o primeiro presidente da história do Parlamento a exercer dois mandatos seguidos, de 2014 a janeiro de 2017.