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Acordo de Concertação: Governo recolhe assinaturas porta a porta

Um carro do Ministério da Segurança Social começou a circular ao final da manhã para recolher as assinatura dos parceiros sociais necessárias para fechar o acordo de Concertação Social. Cerimónia oficial foi cancelada

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Uma viatura oficial do Ministério do Trabalho e da Segurança Social foi recolher porta a porta as assinaturas das quatro confederações patronais e da UGT que permitem selar o acordo de Concertação Social. Segundo o Expresso apurou, CCP, UGT e CAP já assinaram. Aguarda-se confirmação por parte da Confederação do Turismo.

A ronda da recolha de assinaturas começou "a seguir ao almoço" e acabou por coincidir com o arranque do debate quinzenal na Assembleia da República onde, naturalmente, a questão da redução da TSU foi um dos pontos quentes. A líder do CDS acusou mesmo o primeiro-ministro de "mentir a esta Câmara", depois de António Costa ter afirmado que o acordo de Concertação Social "já está assinado".

Assunção Cristas garantiu aos deputados e ao Governo ter mantido encontros com dois parceiros sociais - a UGT e a CAP - durante a manhã, sendo que nenhum deles tinha ainda assinado qualquer acordo.

João Machado, da Confederação dos Agricultores, assumiu ao Expresso ter rubricado o documento enviado pelo Governo "por volta das 14 e 30", isto é cerca de hora e meia depois de ter acabado o encontro com a líder centrista. Em princípio, o carro oficial terá seguido diretamente para a Avenida Gago Coutinho, onde Carlos Silva, da UGT, assinou o documento "por volta das 15 e 22". A cerimónia, na sede da central sindical, foi gravada e colocada na página oficial e estiveram presentes Carlos Silva e o secretário geral adjunto Luis Correia".

O Expresso não conseguiu apurar a que horas foi assinado o acordo com a CCP.

O acordo tripartido e de médio prazo dura até 2020 e, ao contrário do que sucedeu em anteriores acordos de Concertação não vai ter direito a cerimónia oficial de assinatura. Depois de concluído o entendimento entre as confederações patronais, a UGT e o Governo, no passado dia 22 de dezembro, foi estabelecido que haveria direito a uma cerimónia pública "até final do mês de janeiro". O Ministério do Trabalho chegou a avançar com a data da próxima sexta-feira, mas nunca formalizou a agenda com os parceiros sociais. "Neste momento, a cerimónia não faz sentido", disse João Machado, da CAP, ao Expresso.

O facto de a redução da TSU - que consta do acordo de Concertação - poder ser revertida no Parlamento nos próximos tempos é uma das razões para a discrição a que agora se remeteram Governo e parceiros sociais.