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Posição sobre a TSU pode ser “o maior erro de Passos desde que está na oposição”

O ex-líder do PSD e comentador da SIC Luís Marques Mendes considera “incompreensível” a posição de Passos Coelho em votar contra a descida da TSU e acusa-o de estar a desrespeitar a concertação social

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O ex-líder do PSD, Luís Marques Mendes, voltou a criticar o atual presidente do partido, Pedro Passos Coelho, deste fez por ter dito que não apoiaria uma descida temporária da TSU, conforme foi acordado entre o Governo e os parceiros socais em troca do aumento do Salário Mínimo Nacional para 557 euros mensais.

"A posição do PSD é incompreensível. É um monumental tiro no pé e vamos ver se não é, provavelmente, o maior erro de Passos Coelho desde que está na oposição", disse este domingo no seu habitual comentário no jornal da SIC.

Para Marques Mendes, o PSD está a dar "uma machadada na concertação social" e, ao mesmo tempo "matar a história do PSD", um partido que sempre defendeu as boas relações com os parceiros sociais.

Além disso, notou, mostra uma "grande incoerência da parte do PSD" porque "em 2012 foi um grande defensor da descida da TSU" e em 2015 assinou um acordo com a concertação social que permitia aumentar o Salário Mínimo Nacional em troca de uma descida da TSU. Portanto, um acordo semelhante ao que agora rejeita.

"Fez no poder aquilo que critica agora. Parece futebol na política e a política não é um jogo", comentou Marques Mendes.

Mas há mais provas de incoerência, acrescentou, contando que, o ano passado "houve uma situação em tudo igual à que se está a passar agora". Ou seja, também houve um acordo entre a geringonça - PS, BE e PCP - com os parceiros sociais que definia um aumento do salário mínimo e, em contrapartida, descia a TSU de forma temporária. E também houve um Decreto-Lei para baixar a TSU que foi ao Parlamento "como este parece que vai" e para o qual o PS e o CDS votaram a favor, tal como deverão votar agora, e o BE e o PCP votaram contra, tal como disseram estar este ano apesar de fazerem parte da geringonça. Mas nessa altura, em abril de 2016, o PSD absteve-se. Agora diz que vai votar contra. Todos estão a ser coerentes menos o PSD", disse ainda.

"A argumentação de Passos em dizer que é um problema da geringonça, ela que se entenda" é por isso "uma incoerência de todo o tamanho", comentou, questionando "como é que o PSD explica mudar de opinião em oito meses?. Parece que o PSD de Passos Coelho é um cata-vento".

É por isso que Marques Mendes considera que Passos Coelho, "que é uma pessoa inteligente" não percebe "que a incoerência mata um político" e que mata também a boa imagem que criou no Governo, ou seja, "a de político responsável.

Seja qual for a posição do PSD, Marques Mendes avançou que o Governo não vai recuar em nada e vai entregar ao Presidente da República o Decreto-Lei com a descida da TSU já amanhã, segunda-feira, 16 de janeiro.