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Catarina Martins: Crescimento da extrema-direita é um “falhanço” das instituições europeias

António Pedro Santos / Lusa

Líder do Bloco de Esquerda afirma que “o crescimento da extrema-direita é um falhanço das instituições europeias e daquilo que foi a grande coligação entre os sociais-democratas e os conservadores europeus”

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu este domingo que “a esquerda não pode ficar limitada àquilo que as instituições europeias têm para oferecer”, entidades cujo falhanço está a ditar o crescimento da extrema-direita em alguns países.

Catarina Martins participou este domingo, em Berlim, nas cerimónias de evocação da Rosa Luxemburgo e no comício do Die Linke, partido alemão de esquerda, no arranque do ano eleitoral da Alemanha.

“Aquilo que nós viemos aqui dizer é a importância da esquerda europeia trabalhar em conjunto. A esquerda não pode ficar limitada àquilo que as instituições europeias têm para oferecer”, defendeu a líder bloquista, em declarações à agência Lusa.

Na opinião de Catarina Martins, “quando a Europa falhou a lidar” com a crise da economia, a crise financeira, crise dos refugiados e não tem nenhum projeto para conseguir lidar com a crise climática, “é preciso reconhecer o completo falhanço das instituições europeias”.

“Nós temos visto em países de centro, de leste e de norte crescer a extrema-direita e a verdade é que o crescimento da extrema-direita é um falhanço das instituições europeias e daquilo que foi a grande coligação entre os sociais-democratas e os conservadores europeus”, lamentou.

Apesar deste falhanço, para a coordenadora do BE isso “não significa que não haja possibilidades de cooperação e de solidariedade europeia”, defendendo que “ela tem é de ser construída de uma outra forma”, a reflexão que à esquerda tem avançado bastante.

O 'Die Linke', da esquerda alemã, é o único partido alemão, segundo Catarina Martins, “que se opôs desde sempre à 'troika', nomeadamente à intervenção da 'troika' em Portugal“ e “recusou a imposição de políticas hostis”, sendo um aliado importante numa altura em que a Alemanha vai ter eleições.

“Tem de ser construída uma resposta de solidariedade, essa tem de ser construída à esquerda, mas tem de recusar instituições e tratados europeus que limitam as democracias de cada um dos nossos povos”, defendeu.

Segundo a líder do BE, a solução governativa encontrada em Portugal - na qual toda a esquerda apoiou parlamentarmente o Governo do PS - é “um exemplo bastantes vezes citado, até porque todos sabem como é que a direita alemã e o Governo alemão elogiaram Portugal quando Portugal estava com o Governo de direita e a ficar cada vez mais mergulhado na crise”.

“Agora, quando começa alguma recuperação da economia, dos salários, das pensões, o Governo alemão aponta Portugal como sendo um problema. É bem um exemplo da hipocrisia das instituições europeias e da direita alemã, que usam a crise económica no sul para impor programas de privatizações e desregulação laboral um pouco por toda a Europa”, criticou.