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Política

Descida da TSU gera divergências à esquerda e à direita

José coelho/ Lusa

PCP e BE não querem descida da TSU, mesmo sendo uma contrapartida para subir o salário mínimo. PSD também não, mas porque não quer ser ele a viabilizar uma medida que foi aprovada à esquerda

Quando o Governo, juntamente com o BE e com o PCP, acordaram com os parceiros sociais o aumento do salário mínimo para 557 euros, a contrapartida seria a descida da TSU para as empresas em 1,25 pontos percentuais. Mas, afinal, essa contrapartida está, agora, a gerar discórdia tanto à direita como à esquerda, com os partidos a acusarem-se mutuamente de mudarem de opinião relativamente ao que tinham dito em dezembro.

Tudo começou com o PCP a garantir que, quando saísse o decreto-lei que estipula a descida da TSU ele teria de ser reapreciado no Parlamento e, nessa altura, seria proposta a eliminação dessa contrapartida. O BE também contestou a medida, deixando o PS sozinho e a precisar do PSD para votar a favor da descida. Mas na sexta-feira, o líder da direita, Pedro Passos Coelho, disse que também votaria contra.

“Não peçam o nosso apoio para isso. Se dentro da maioria não se entendem para resolver este problema e forem os próprios partidos da maioria a levar a questão à Assembleia da República, o nosso voto não têm. Isso que fique claro", afirmou num jantar, no Algarve.

Este sábado, o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou o PSD de dar uma “cambalhota” sobre o tema, mas que isso até era bom.

"Parece agora que as coisas se encazinaram por banda do PSD que afirmou que vai também votar contra esse privilégio. Mas às vezes, como diz o nosso povo, há males que vêm por bem. É uma posição estranha, contraditória na medida em que sempre, mas sempre esteve de acordo com a redução da TSU. Pois que o PSD também vote contra essa redução que, com certeza, beneficiará os trabalhadores e a nossa economia”, desafiou Jerónimo de Sousa.

Passos não tardou a responder. Também este sábado, em Évora, acusou o PCP e BE de mudarem de opinião e de estarem à espera que seja o PSD a viabilizar a solução em vez deles. “Eu não me lembro de o PCP e de o Bloco de Esquerda terem estado contra a decisão do Governo [de aprovar a descida da TSU]. Se a decisão foi tomada e andou para frente, foi porque eles [PS, PCP e Bloco de Esquerda] concordaram”, caso contrário a descida da TSU “tinha caído” em 2016.

“Pergunto-me se nesses partidos mais à esquerda não pensariam mesmo que ‘isto é que era bom, eles ficam a decidir o Salário Mínimo Nacional, o mais alto possível, o PSD que, depois, lá no Parlamento, pague a fatura dessa coisa, que eles não estão para isso’, ironizou. Acrescentando ainda. “Se a coisa começou assim com a TSU e o Salário Mínimo Nacional, como vai ser o resto do ano? Vão andar sempre a pedir ao PSD para apoiar o Governo porque eles, este ano, estão de baixa, meteram folga?”, questionou.

Passos Coelho lembrou ainda que o PSD “não faz parte da geringonça”, que “ninguém pediu opinião para tomar estas decisões” e que consigo “não negociaram nada”. “O Governo não nos veio pedir a nós apoio para fazer aquela negociação, foi ao Bloco de Esquerda e ao PCP. Portanto, é lá que vai mesmo ter que resolver esse problema”, disse.