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“Temos um casamento feliz com Rui Moreira”

O líder da Distrital do CDS-PP do Porto renovou esta semana os votos de união à recandidatura de Rui Moreira às próximas autárquicas, o candidato “preferido” do partido ainda antes de nascer o movimento independente ‘O Nosso Partido é o Porto’. Álvaro Castello-Branco garante que o PSD não tentou convencer os centristas a concorrerem juntos à Câmara do Porto, nem tal teria sentido depois do divórcio consumado em 2013 por causa da escolha de Luís Filipe Menezes. E nega que no Porto haja uma espécie de geringonça com outras cores

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

RENOVAÇÃO. Álvaro Castello-Branco orgulha-se de o CDS-PP ser o partido presente há mais anos na governação do Porto

RENOVAÇÃO. Álvaro Castello-Branco orgulha-se de o CDS-PP ser o partido presente há mais anos na governação do Porto

O anúncio de Assunção Cristas da renovação do apoio a Rui Moreira, há quase um ano, condicionou a decisão do partido?
Nada. A presidente do partido entendeu que não havia razão para se seguir outro caminho e que Rui Moreira, por tudo o que tem feito pela cidade neste mandato, era o melhor autarca para o Porto. Foi uma convicção pessoal, unanimemente aceite pelo partido.

A decisão foi aprovada agora na distrital do CDS-PP do Porto por aclamação, mas foi considerada precipitada pelo conselheiro nacional Marcelo Mendes Pinto, que acusou a líder de se colar a Moreira sem tomar o pulso ao partido...
Foi uma voz discordante mas isolada, naturalmente respeitável. E sei que Assunção Cristas, quando no congresso anunciou o apoio a Rui Moreira, já tinha tomado o pulso ao partido. Sabia bem o que o conselho nacional, a comissão executiva e a distrital do Porto pensavam.

O CDS-PP não corre o risco de desaparecer no Porto?
Não vejo porquê. No concelho do Porto, nas legislativas de 2011, as últimas em que o CDS-PP concorreu sem ser em coligação, teve 12,8% dos votos, apesar de o partido não ir a votos sozinho em eleições autárquicas desde 1993. Aliás, somos o partido há mais anos na governação da Câmara do Porto, desde a eleição de Rui Rio em 2001. O PSD esteve 12 anos e saiu e o PS ficou de fora 12 anos. E está lá mediante um acordo pós-eleitoral. De 2005 a 2012, o CDS teve não só dois vereadores no executivo, como fui vice-presidente da Câmara e presidente da assembleia municipal. Portanto, a questão não faz sentido.

Que contrapartidas foram negociadas no apoio à recandidatura de Rui Moreira?
Nenhumas, nem fazemos negociações avulsas. Como em 2013, haverá um acordo político e um programa estratégico para a cidade conjunto, que será concertado como o movimento independente lá mais para a frente.

O mais que previsível apoio do PS ao atual presidente da Câmara não criou crispação ou hesitação no CDS-PP?
Não. Não fomos nós que aparecemos depois a apoiar Rui Moreira, foi o PS que veio atrás por entender que devia garantir a maioria e dar estabilidade à autarquia. E correu tão bem que tudo indica que abdicam de ter candidato próprio. O CDS está na génese do movimento encabeçado por Rui Moreira, que para nós já era o melhor candidato para a cidade ainda antes de o movimento ‘O Nosso Partido é o Porto’ ser formalizado. É uma recandidatura inclusiva, onde todos os que nela se revejam são bem-vindos, como já referiu Rui Moreira.

Esta ampla aliança autárquica de famílias políticas à direita e à esquerda não é uma espécie de geringonça com outras cores?
São realidades distintas. Uma câmara é diferente de um governo. Começa logo porque no Governo há negociações permanentes entre o PS e os três partidos que sustentam o poder, fazendo valer as suas bandeiras. No Porto não existem negociações caso a caso, desde logo porque para um presidente de câmara governar pode fazê-lo em minoria, além de que há um programa que foi aceite em comum, sem regatear. Sem esquecer que na origem da geringonça está um primeiro-ministro que não foi o líder do partido mais votado, enquanto no Porto o líder autárquico venceu nas urnas. É a proa do executivo.

O PSD não vos tentou convencer a irem juntos no Porto nas próximas autárquicas?
Não. A nossa divergência ficou resolvida em 2013, quando o PSD escolheu Luís Filipe Menezes para suceder a Rui Rio como melhor solução para o futuro da cidade. O divórcio com os sociais-democratas aconteceu, por isso, há quatro anos, não agora. Temos com Rui Moreira um casamento feliz, não fazendo sentido seguir outro caminho.

Álvaro Santos Almeida, outro independente, é um concorrente forte ou não fará mossa a Moreira...
Não sei se será ele o candidato do PSD. Mas qualquer que seja o nome do candidato do PSD, não altera em nada a avaliação extremamente positiva do nosso candidato.

O atual executivo autárquico conta com vereadores do movimento independente, do PS e Ricardo Valente, eleito pelo PSD. É um albergue, como critica o líder da concelhia, Miguel Seabra?
Sem comentários.

O PS tem os pelouros do Urbanismo (Correia Fernandes) e da Habitação e Ação Social (Manuel Pizarro). O CDS-PP não se sente menorizado na gestão do município?
Temos pelouros importantes como o do Turismo, Comércio e Proteção Civil. Entre nós não há rivalidades, funcionamos em equipa. A atribuição de pelouros depende muito das aptidões profissionais e pessoais. Por exemplo, Correia Fernandes, arquiteto de mérito reconhecido, era sem dúvida o mais qualificado para o exercício do pelouro do urbanismo.

Rui Rio defende que não há oposição na Câmara do Porto e que alguns vereadores se venderam ao longo do mandato...
Reconheço que já houve mais oposição noutros mandatos, como aconteceu quando Rui Sá era vereador pelo PCP. Além de combativo, tinha uma visibilidade muito mediática na comunicação social. Hoje o contexto é outro, não só devido ao acordo pós-eleitoral do PS, mas ainda porque o PSD se encontra dividido.

Foi vice-presidente de Rui Rio na Câmara. Que balanço faz da era Moreira versus Rio?
São personalidades diferentes. Rui Rio deu início a uma série de reformas importantes para a cidade, como foi o caso da reabilitação da Baixa, no trânsito e no arranque da nova era do turismo no Porto. Rui Moreira potenciou ainda mais esse dinamismo, como é o caso da reabilitação urbana, cada vez mais visível, ou na internacionalização do Porto, feita por si próprio, sem rivalidades, sem sentido Porto/Lisboa, e sem ser a reboque do país. O Porto é uma das cidades mais na moda da Europa, com um enorme dinamismo cultural para o qual muito contribuiu Paulo Cunha e Silva. Um legado que Rui Moreira quer manter vivo, sendo uma das suas grandes preocupações a requalificação da Biblioteca Pública, que tem o maior acervo de livros e documentos do país.

PSD e CDS vão a votos juntos em Matosinhos. Já há candidato ou perfil delineado?
A coligação em Matosinhos é assunto encerrado e já foi formalizada, mas ainda não há candidato, que prevemos apresentar nos próximos dois meses. Na Trofa é quase definitivo que iremos juntos e muito provável que tal suceda na Maia e Gaia, onde existe esta tradição desde 1997.

Acredita que o PSD irá apoiar Assunção Cristas em Lisboa?
Não sei, nem é determinante. É uma candidatura de grande convicção, não condicionada a apoios de outros partidos.