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Jerónimo de Sousa: “O direito à divergência e à diferença é inalienável”

Ana Catarina Mendes cumprimenta Jerónimo de Sousa

José Caria

Líder comunista diz que o seu partido foi sempre contra a descida da Taxa Social Única (TSU) para as empresas. E aponta mais diferenças face às posições do PS. “Não há um Governo de esquerda, há um Governo do PS”, insiste

Lusa

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O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, voltou esta sexta-feira a insistir que o seu partido está contra a descida da Taxa Social Única (TSU) para as empresas.

“O PCP, coerentemente, desde o início, sempre esteve contra a redução da TSU. Neste caso, tem um efeito perverso na medida em que as empresas tenderão a servir-se do Salário Mínimo Nacional (SMN) como referência para os aumentos dos salários", declarou Jerónimo de Sousa à saída de um encontro com dirigentes do PS na sede no Largo do Rato.

Questionado sobre a intenção manifestada pelo PSD de votar contra a descida da TSU aos patrões, o líder comunista acusou os sociais democratas de incoerência, remetendo para o partido explicações. “Nós temos uma posição coerente desde início, o PSD anda de lá para cá, mas compete ao PSD esclarecer à comunicação social”, afirmou.

Jerónimo voltou também a defender que a melhor solução para o Novo Banco passa pela nacionalização. “Nós colocámos na linha de intervenção produzida pela nossa bancada a consideração da necessidade de manter o Novo Banco na esfera pública, sob o controlo do Estado”, sustentou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista sublinhou que é fundamental que o banco se mantenha sob o controlo público para a estabilidade do sistema financeiro e da economia. “É de grande importância para as famílias e para os empresários e convém também salvaguardar os postos de trabalho.”

E advertiu que cabe ao Governo evitar uma situação semelhante à do BPN, manifestando-se em desacordo quanto à nacionalização temporária do banco. “Nós consideramos que nesta matéria não pode haver repetição do processo BPN em que se socializasse os prejuízos e se entregasse de novo o banco limpo ao setor privado. Os portugueses a ficarem com os ossos e o bife do lombo a voltar para as mãos do capital”.

Por último, Jerónimo disse que teve também a oportunidade de defender a importância da renegociação da dívida, face à subida recente dos juros acima dos 4%.

Não escondendo as diferenças entre as posições do PCP e do PS, o líder comunista insistiu que não há um Governo de esquerda, mas um Governo do PS. “O grau de compromisso que está na posição conjunta é que define o grau de convergência entre nós e o PS. O direito à divergência e à diferença é inalienável.”