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Política

PSD contra nacionalizar o NB: “É um erro absoluto, não contem connosco”

Luís Barra

Direção do PSD discorda dos que no partido defendem a nacionalização do Novo Banco. “Não contem connosco para aventuras ruinosas”, avisou Marco António Costa, que acusou o Governo de “não conseguir gerar confiança nos mercados”

Pedro Passos Coelho discorda em absoluto das vozes do PSD que nos últimos dias vieram a público concordar que, entre uma má venda e uma nacionalização temporária, é melhor a segunda solução.Para a direção do partido, nacionalizar o Novo Banco é "um erro absoluto". Marco António Costa, vice de Passos, foi claro no Parlamento: "Não contem connosco para aventuras ruinosas".

O paralelo com o que se passou no BPN enquadra a posição oficial do maior partido da oposição. "A nacionalização do NB, promovida por um Governo PS, foi desastrosa", afirmou Marco António Costa, acusando os socialistas de estarem "a tentar repôr o filme, mas o país não pode andar para trás".

"Inaceitável", foi a definição do vice-presidente de Passos Coelho para uma eventual nacionalização do banco. Marco António lembrou, aliás, que o PS votou a favor do relatório da comissão de inquérito ao BES que concluíu ter havido erros de gestão. E avisou: "esta experiência já foi testada no BPN e custou milhares de milhões aos contribuintes".

A direção do PSD desafia o Governo socialista "a criar condições para a venda do banco" e acusa o Executivo de António Costa de, depois de ter injetado 2,2 mil milhões no Banif e da "inenarrável novela da CGD, um autêntico manual de más práticas para o setor financeiro", estar a tentar fazer da banca uma arma de arremesso político.

O dirigente do PSD ainda deixou uma nota de preocupaçãpo com as últimas emissões de dívida portuguesa, a juros acima dos 4%. Marco António acusou António Costa de "não ter preparado suficientemente o futuro" e de "não conseguir gerar confiança nos mercados".

"Há um ano, disse, gozavam dos resultados alcançados pelo anterior Governo, mas não conseguem gerar confiança". A direção de Passos vai cavalgar as fragilidades da banca e os riscos de financiamento do país.

PS não tem "posição dogmática"

Perante as críticas das bancadas do PSD e do CDS sobre a possível nacionalização do Novo Banco, o deputado socialista João Galamba rejeitou que o PS tenha uma posição fechada sobre o desfecho deste processo. E contestou a ideia de que o debate público em torno da possível nacionalização do banco contribua para desvalorizar o Novo Banco no seu processo de venda.

"Para o PSD e para o CDS, dizer a um comprador de um banco que vendemos a qualquer preço é algo que valoriza um banco. Ora, qualquer pessoa que já tenha comprado ou vendido um bem entende que se dissermos a um comprador que não temos alternativa isso é bom para eles", começou por responder João Galamba, garantindo de seguida que o PS "não tem uma posição dogmática" sobre o Novo Banco. "O PS não tem uma posição de princípio a favor da venda ou da nacionalização", mas apenas uma posição de princípio em relação à "salvaguarda dos interesses do Estado".

Reiterando a ideia de que o atual Governo está a "resolver problemas herdados" da governação PSD-CDS e a "fazer o que não foi feito antes" para dar estabilidade ao sistema financeiro em Portugal, Galamba recordou que a eventual aceitação da proposta da Lone Star para a compra do Novo Banco, nos seus moldes atuais, implicaria "um custo para os contribuintes". E, por isso, lançou o repto aos deputados do PSD e do CDS. "Se entendem que a nacionalização não deve ser uma solução de recurso, digam que vendem a qualquer preço. Assumam isso".