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Marinha alerta para o aumento da “ameaça submarina”. Os russos andam aí

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A ameaça é real e não pode ser desvalorizada, garantiu ao Expresso uma fonte militar no dia de tomada de posse do novo comandante naval. No seu discurso, o vice-almirante Gouveia e Melo defendeu a necessidade de treinar os militares para “cenários mais prováveis de operação” entre os quais destacou a “ameaça submarina que recrudesceu”

Carlos Abreu

Jornalista

O vice-almirante Gouveia e Melo, que a partir desta quinta-feira é o novo comandante naval da Armada, alertou para o recrudescimento da ameaça submarina defendendo a necessidade de treinar os militares da Marinha para este tipo de ameaças.

Com efeito, uma fonte militar confirmou ao Expresso que se tem vindo a detetar uma maior presença de submarinos russos nos espaços marítimos onde Marinha portuguesa mantém uma presença habitual e constante. Lembra a mesma fonte que, apesar de se ter vindo a registar um maior investimento no sector da Defesa, “a Rússia não tem capacidade para manter uma presença constante e abrangente nos mares e opta por posicionar unidades navais fortemente armadas em zonas estratégicas, como por exemplo no Atlântico Norte”.

Sem fazer qualquer alusão aos russos, Gouveia e Melo, de 56 anos, disse no seu discurso de tomada de posse que considerava importante fazer adaptações “aos modelos e focos de treino [dos militares da Armada] de modo a estes serem intensificados para os cenários mais prováveis de operação onde realço a ameaça submarina que recrudesceu, a proteção da navegação mercante, quer contra atores estatais, quer não estatais, como sejam o terrorismo e a pirataria, assim como as operações expedicionárias ou outras que envolvam o resgate das diásporas”.

E dirigindo-se aos comandantes de todos os navios, este vice-almirante submarinista acrescentou: “Quero que utilizem todos os minutos de mar para treinar, para vigiarem o nosso espaço, para ocupar e dizer presente. Por isso, exijo-vos que rentabilizem ao máximo os recursos que nos são disponibilizados.”

“A capacidade para estabelecer um elevado estado de conhecimento sobre espaços marítimos de atuação será para mim crucial pois só de forma inteligente e consequente poderemos melhorar os resultados com os mesmos recursos. O desafio é enorme e os recursos muito escassos”, concluiu o homem que foi chefe de gabinete do ex-Chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Macieira Fragoso, presente na cerimónia esta manhã no Alfeite.

Mas, para o atual chefe da Marinha, a crónica escassez de recursos não há de comprometer a presença da Armada no mar. Questionado pelo Expresso no final da cerimónia, o almirante Silva Ribeiro garantiu que este ramo das Forças Armadas vai navegar mais nos próximos anos. “Vamos encontrar forma para isso”, afirmou o militar que está a ultimar uma nova diretiva de planeamento estratégico que traduzirá em “ações concretas” a sua visão para a Marinha. “É possível fazer mais com o que temos e é isso que vamos fazer”, garantiu o homem que assumiu a chefia do Estado-Maior da Armada há pouco mais de um mês.

Gouveia e Melo sucede ao vice-almirante Sousa Pereira que a 15 de dezembro assumiu a direção da Autoridade Marítima, cargo deixado vago por Silva Ribeiro que esta manhã reconheceu o “especial dom” do novo comandante naval “para abordar as dificuldades por novos prismas de interpretação conducentes a soluções inovadoras”.