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Costa: “É preciso aproveitar as portas que ficaram abertas”

TIAGO PETINGA/LUSA

Visita do primeiro-ministro à Índia terminou esta quinta-feira. Raízes goesas ajudaram a criar confiança com as autoridades indianas. Modi irá a Lisboa em breve para fazer balanço da nova parceria

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

António Costa terminou esta quinta-feira a visita oficial de seis dias à Índia, convicto que "as portas estão abertas e que há disposição para que continuem abertas". 40 após o fim das colónias portuguesas naquele país, o objetivo do Governo é intensificar a relação política e comercial. E o primeiro-ministro, que é um "otimista irritante", como Marcelo Rebelo de Sousa o classificou, abandonou Goa mais uma vez otimista. O primeiro-ministro Narendra Modi deu-lhe uma espécie de benção em público e as raízes goesas de Costa ajudaram ao clima de confiança que se gerou.

"Há um outro clima. Agora é preciso aproveitar essas portas que ficaram abertas", afirmou o primeiro-ministro aos jornalistas, em jeito de balanço, esta tarde em Goa Velha. E não perdeu tempo. Já convidou Modi a visitar Portugal e a fazer nessa altura "o balanço do trabalho realizado". Como o Governo garantia, dias antes desta viagem, a comitiva ia "semear" mais colher mais tarde. E Costa quer fazer tudo para colher depressa. A primeira grande viagem que fez foi à China, lembrou hoje, e escolheu como segundo destino a Índia, dois países em grande crescimento, para que os frutos dessas colheitas possam ainda ser colhidos durante a sua legislatura. Como dizia em Nova Deli a um conjunto de empresários no início da semana, é "preciso fazer tudo para o país crescer".

Apesar das receções e festas em Goa, onde o seu pai viveu em jovem, Costa não quis que esta viagem fosse saudosista. Procurou sempre olhar mais para o futuro do que para o passado. "As minhas origens permitiram criar uma empatia e permitir a natureza de visita de Estado. Mas é um virar a página relativamente ao passado".

E foi precisamente no último dia da visita, que começou em Nova Deli e terminou em Goa, que o primeiro-ministro regressou ao passado, visitando a casa do pai, onde almoçou, em Margão, e passeando pelo bairro típico das Fontainhas, que achou mais reabilitado e bonito do que há 20 anos quando ali esteve pela última vez.

Apesar das alterações de última hora da agenda, não deixou ainda de visitar Goa Velha e a Sé Catedral e, mesmo defronte, a Igreja do bom Jesus, onde está guardado o túmulo de São Francisco Xavier. Atualmente, cerca de 28% da população do Estado de Goa é católica e diariamente ali ocorrem cerca de 10 mil peregrinos. Das mãos do padre Loyola Pereira recebeu um poema que o pai ali escrevera quando tinha 16 anos. A visita oficial a Goa não terminou também sem a visita ao templo hindu Shri Manguesh em Ponda.