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A festa e o almoço goês de António Costa em Margão

No última dia de visita à Índia, Costa foi recebido em festa no bairro das Fontainhas na capital de Goa e rumou a Margão onde visitou uma tia e uma prima. Carneiro com pimenta preta e porco com picante de Malvani à mesa

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

"Portugal, meu Portugal/De mãos dadas pela seleção/Portugal, meu Portugal/Todos juntos com a mesma paixão/Portugal alé, campeão alé/Traz contigo mais uma vitória Portugal, meu Portugal/Viveremos momentos de glória". Foi assim ao som desta música, que serviu de hino à seleção no Mundial de futebol no Brasil, há três anos, que António Costa foi recebido, esta quinta-feira, na rua Abade Faria, em Margão, Goa, na casa onde o seu pai viveu na infância. As meninas, de tranças e farda, que cantavam com muita alegria e alguma afinação pertencem à escola Manovikas, fundada por um tio do primeiro-ministro, João Costa.

Rodeado por jornalistas, António Costa quase não conseguia chegar à soleira da porta da casa térrea e ocre, onde vivem uma tia e uma prima, as únicas com quem manteve contacto mais regular ao longo dos anos. "O meu pai e o meu tio foram criados aqui pelos seus pais e por nove tios. Há aqui a tradição de os irmãos que não se casam ficar a viver com os irmãos que se casam. Os nossos avós tinham muitos irmãos e só eles é que se casaram", explicou o primeiro-ministro, minutos antes de entrar em casa, enquanto posavam para as fotografias com a tia Sinikka Jussilainen Costa e a prima, Anna Kaarina. "Está quase, estou quase a chegar lá", atirava aos jornalistas.

Lá dentro, esperava-o na mesa um prato de carneiro com pimenta preta e um outro de porco com picante de Malvani. A sobremesa era gulab jamun (bolinhas doces tradicionais). Segundo o jornal "Indian Times", a família fez obras de renovação na cozinha e contratou mesmo um chefe, Mahesh, que trabalha num resort turístico, para preparar um menu de "comidas tradicionais com um modern twist".

"Estamos muito ansiosos pela sua visita, não só a família mas também os nosso vizinhos", dizia à imprensa local, uns dias antes, a prima de Costa. A visita era para ser privada, sem jornalistas, mas quando a comitiva oficial se apercebeu de que iriam estar em Margão jornalistas indianos, então mudou de ideias e avisou os jornalistas portugueses que acompanham a visita que iria haver oportunidade de assistir à chegada.

Foto da família de António Costa. Orlando Costa, pai do atual primeiro-ministro, é o bebé da imagem

Foto da família de António Costa. Orlando Costa, pai do atual primeiro-ministro, é o bebé da imagem

Antes deste almoço, Costa foi recebido calorosamente no bairro das Fontainhas, um bairro típico da capital de Goa e onde ainda vivem portugueses ou falantes de português. Amarelas, azuis, verdes. As casas são de cores alegres com alpendres compridos e varandas pintadas de branco.

Acompanhado por uma pequena banda, o primeiro-ministro percorreu a Rua de Natal e a Rua de S. Sebastião, cumprimentando pessoas, até à delegação da Fundação Oriente, onde enterrou a medalha de mérito cultural a título póstumo a Paulo Varela Gomes, antigo responsável daquela delegação.

O percurso a pé parecia um momento de campanha eleitoral com cumprimentos, sorrisos, selfies e uma música ensurdecedora. Para além da banda, havia umas colunas de som gigantes na rua de S. Sebastião que entoavam uma marcha brasileira de carnaval. "Daqui não saio/Daqui ninguém me tira/Onde é que eu vou morar/O senhor tem paciência de esperar/Inda mais com quatro filhos/Onde é que vou parar".

Costa nem se deve ter apercebido, submerso nos cumprimentos, a fazer declarações a um jornalista indiano vestido com uma T-shirt antiga da seleção portuguesa e as explicações da guia, Maria de Lurdes da Costa, que o acompanhou até à capela de S. Sebastião.

No caminho, conheceu Floriano Ávila, que foi amigo do seu pai Orlando Costa, e que se emocionou depois de abraçar o primeiro-ministro e ouviu da boca de Athus Fernandes ("Athus como um dos três mosqueteiros", como explicou ao Expresso) o desejo de que Portugal invista mais na língua portuguesa também em Damão, de onde é natural.

Em contínuo, ouvia-se "viva, viva" be "Portugal, Portugal", enquanto crianças agitavam fitinhas verdes e vermelhas.