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“Portugal’s babush” voltou. Costa feliz em Goa

António Costa conversa com a Governadora de Goa, Mridula Sinha, durante a reunião no palácio Raj Bahvan

Tiago Petinga / Lusa

Primeiro-ministro emocionado em Goa recorda o cheiro dos cigarros do pai e as palavras em concani que aprendeu com ele. As ruas encheram-se de cartazes a dar as boas-vindas em português

Helena Pereira

Helena Pereira

em Goa

Editora de Política

Mal se sai do aeroporto, um cartaz a dar as boas vindas em português. Ao longo da cidade de Pajani, em Goa, a imagem aparece em várias rotundas e há até uma carrinha com a tela para percorrer as principais ruas. Logo de manhã, a edição goesa do "Times of India" mostra "O filho do Oriente que ascendeu no Oeste", "num volte-face espetacular". E o representante máximo de Goa ("chef minister") manifesta "o orgulho em nome de toda a população". Que dizer desta receção?

António Costa, que há dois dias tinha separado o plano de primeiro-ministro do plano pessoal para justificar por que razão a agenda oficial o impedia de assistir ao funeral de Mário Soares, deixou transbordar a emoção forte que sente por pisar aquele solo, onde o seu pai, Orlando da Costa, cresceu. "Há limites para a desumanização. É claro que tenho emoções e é bom reencontrar familiares, o sítio onde o meu pai cresceu, coisas que aprendi a perceber com ele", declarou, notando que há 22 anos que não visitava Goa. "Os goeses conseguiram uma síntese absolutamente notável da herança portuguesa com o que conseguiram reinventar".

Mal começou a falar as recordações e o sorriso voltaram. "Olhe, aprendi com o meu pai, por exemplo, que há uns cigarros únicos, com um cheiro maravilhoso, os Viddis, embora eu não fume e aprendi duas palavras em concani, a língua típica de goa", contou. Quais? "Babush" e "babló" e o aroma dos cigarros que o pai fumava.

"Aprendi duas palavras em concani, só duas, babush, que era como o meu pai me chamava, e babló, que era como chamava ao meu irmão. Toda a minha família me trata assim. Mas o meu irmão ficou menos babló do que eu fiquei babush", disse, com um sorriso, referindo-se a Ricardo Costa, jornalista e diretor geral para a Informação do grupo Impresa.

A conversa teve lugar no pátio do Raj Bhavan, sede do Governo de Goa, com uma vista deslumbrante para o Índico. O edifício começou por ser um convento franciscano (ainda tem uma capela católica) e mais tarde foi residência de verão do governador do Estado Português da Índia.

Da parte da manhã, Costa teve um encontro com a governadora e com o chief minister, o ministro-chefe de cada Estado que é eleito diretamente pela população (o governador é nomeado pelo Estado central), e que decorreu na residência oficial do cônsul português, uma vez que Goa está em campanha eleitoral e o intuito foi não misturar esta visita com a política interna. Visitou ainda o Instituto Oceanográfico, com o qual Portugal colabora há vários anos na exploração dos recursos marinhos.