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Política

Marca de Soares “é demasiado grande para ser esquecida”

Marcos Borga

Voto de pesar da Assembleia da República pelo falecimento de Mário Soares, lido por Ferro Rodrigues, marcou arranque da sessão evocativa do antigo Presidente da República, que esta tarde decorre no Parlamento

Um "profundo pesar", um "sentimento de perda", mas um "exemplo que perdura". "A sua marca é demasiado grande para ser esquecida. Nela encontrarão as novas gerações a força e a inspiração para ultrapassarem os desafios e darem continuidade ao seu impressionante legado".

Foi com estas palavras que o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, iniciou esta tarde, no Parlamento, a leitura do voto de pesar pelo falecimento de Mário Soares. Um momento que o Ferro Rodrigues admitiu ser de "tensão" particular para si, pelos "laços que sempre" o uniram a Soares e pela "saudade" que diz já ter do ex-Presidente da República.

Num voto de pesar que sublinhou o "legado de coragem política, de patriotismo democrático e de abertura ao mundo" de Mário Soares, o Presidente da AR recordou as "corajosas atividades de oposição à ditadura", que lhe valeram "a prisão, a deportação e o exílio". "O lema de vida de Mário Soares foi sempre o mesmo: 'só é vencido quem desiste de lutar'", recordou Ferro Rodrigues, antes de sublinhar que em 1996, Soares "já tinha sido tudo" e "tinha o seu lugar na História". Mas que mesmo assim, "preferiu continuar a lutar e a pensar no futuro".

Depois de recordar todas as suas facetas políticas - desde o jovem advogado defensor de presos políticos, ao secretário-geral do PS, ministro, primeiro-ministro ou Presidente da República - Ferro Rodrigues reconheceu que Soares "cometeu erros, certamente", mas "sempre entendeu a política democrática como uma atividade apaixonante, feita de vitórias, mas também de derrotas, assente em escolhas claras e convicções fortes".

"Todos estiveram ao lado dele e contra ele. Ao mesmo tempo, todos lhe reconhecem a lealdade com os adversários e a tolerância com a diferença", prosseguiu Ferro Rodrigues, defendendo que "o seu exemplo de tolerância ajudou o país a unir-se e reconciliar-se consigo mesmo, depois das tensões próprias de uma ditadura longa".

Marcos Borga

Na mesma linha, Augusto Santos Silva, em representação do Governo, fez um discurso a defender que "a democracia é um combate" e que "fundar a democracia exigiu lutar contra a ditadura". E que se a "liberdade é em si o valor primeiro", a política é "uma nobre função pública" e que "o primado da política" abrange as ideias de "partidos políticos, forças sociais, debate intenso, tolerância e reconhecimento". "Isto nos ensinou Mário Soares e por isto lhe devemos tanto. Do fundo do coração, obrigado Mário Soares", leu Augusto Santos Silva.