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Política

CDS destaca papel determinante de Soares na construção do Portugal democrático

Marcos Borga

“As divergências que tivemos enquanto partido não ofuscam em nada o respeito e a consideração pelas suas qualidades indiscutíveis”, reconheceu o presidente da bancada centrista Nuno Magalhães

O CDS salientou esta quarta-feira o papel determinante de Mário Soares na construção do Portugal democrático, apesar de reconhecer que foram muitas as vezes que divergiu do antigo Presidente da República.

Os democratas-cristãos sublinharam o papel histórico que Mário Soares desempenhou em Portugal “pelo menos no último meio século”, mas fizeram questão de manifestar a sua discordância com a forma como foi conduzido o processo de descolonização pelo então primeiro-ministro.

“O CDS, neste momento de justa e merecida homenagem, não pode deixar de recordar a nossa discordância com um processo de descolonização apelidado por muitos de exemplar mas que, a nosso ver, foi apressado e trouxe sofrimento a milhares de portugueses”, salientou o líder parlamentar Nuno Magalhães.

O presidente da bancada democrata-cristã destacou ainda “as visões diferentes para Portugal em 1976” em relação a Mário Soares, quando a bancada do CDS foi a única a votar contra “uma Constituição que preconizava o caminho para o socialismo”.

“Mais recentemente, continuámos a ter opiniões diferentes quando o país foi forçado a um resgate financeiro que nunca desejámos ou contribuímos mas que ajudámos a cumprir e assim a recuperar a soberania nacional plena”, acrescentou. Para Nuno Magalhães, uma “homenagem respeitosa” a Mário Soares implica assumir “com frontalidade” estas divergências.

Considerando que Mário Soares “personifica grande parte da História do Portugal contemporâneo”, a bancada do CDS destacou, pela positiva, “o contributo decisivo” que teve na construção de um Estado social e um Portugal democrático, a oposição ao Estado Novo e o “papel determinante” na Revolução de 1974 e no 25 de Novembro.

“Se Portugal não se transformou então numa ditadura em muito se deve ao Dr. Mário Soares”, disse, frisando ainda o papel do antigo chefe de Governo e de Estado na adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia.

Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, cumprindo-se hoje o último dos três dias de luto nacional decretados pelo Governo.