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Marcelo: “Em nome de todo, mas de todo o Portugal, obrigado Mário Soares”

Marcelo Rebelo de Sousa homenageou “o homem que fazia História, mesmo quando tantos de nós se recusavam a reconhecê-lo”. Presidente da República quis “mobilizar todos, para que jamais Portugal seja remorso”

Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que Mário Soares "fez História sabendo que a fazia, mesmo quando tantos de nós se recusavam a reconhecê-lo". E foi empenhado em "mobilizar todos para que jamais Portugal seja remorso" que o Presidente deixou um "obrigado, em nome de todo, mas de todo o Portugal, a Mário Soares".

Nos claustros dos Jerónimos, "inspirador" lugar que evoca "a vocação universal" de Portugal, Marcelo falou de Soares como "um construtor da portugalidade" e um "singular humanista" e por isso considerou aquele o local certo para o homenagear.

“Porque nestes Jerónimos se convoca a história que ele estudou antes de a fazer, a cultura que ele criou e o pico da sua inteligência e da sua liberdade”, afirmou, destacando o “humanismo e a portugalidade” como “luminosos traços” destes claustros e do próprio Soares.

“Foi o humanismo que definiu Mário Soares, enriquecido pelos socialismos variados, dos marxistas aos personalistas, e depois vivido com a premência dos neorealismos, fundindo letras e artes plásticas, tudo ao serviço de uma intervenção política galvanizadora, sempre no afã de refazer Portugal”, afirmou.

O Presidente da República citou Fernando Pessoa - "para ser grande, sê inteiro, sê todo em cada coisa" - para evocar o ex-Presidente da República. Com "uma saudade feita futuro", Marcelo Rebelo de Sousa insistiu "na inteligência, humanismo e portugalidade" do ex-Chefe de Estado.

Antes do Presidente da República falou Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, que quis deixar três sentimentos na despedida de Soares: "Dor, admiração e gratidão".

Ferro lembrou como o fundador do PS "tinha uma sintonia impressionante com os portugueses", que nestes dias o homenagearam nas ruas "contra os saudosistas do ódio". "Mais do que militante nº1 do PS, Soares foi o militante nº1 da nossa democracia", concluiu.

  • O homem que tentou convencer Soares a voltar ao Partido Comunista

    Mário Soares rompeu com o Partido Comunista em 1950, depois de um conturbado desentendimento na campanha do general Norton de Matos às eleições presidenciais de 1949. Anos mais tarde, o escritor e ensaísta Alberto Ferreira procurou-o na sua casa do Campo Grande, com a partidária incumbência de convencer Soares a voltar ao PCP