Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Costa pede parceria “vibrante” com a Índia

AMIT DAVE / Reuters

Primeiro-ministro português destaca as energias renováveis como a “startup” da futura parceria de Portugal com a Índia

Helena Pereira

Helena Pereira

enviada a Ahmedabad (Índia)

Editora de Política

"Tenho a certeza que depois de um Gurujat vibrante e uma Índia vibrante, teremos umas vibrantes relações entre Portugal e a Índia". Foi assim que António Costa encerrou a sua intervenção no Vibrant Gujarat, esta terça-feira de tarde em Ahmedabad.

Este encontro foi criado pelo atual primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, quando era governador precisamente do Estado do Gujarat que dá nome ao evento. E todos os anos traz a este local líderes mundiais e empresários de topo, transformando-se, ao longo dos seus três dias, num dos principais fóruns empresariais da Índia.

Na sessão principal desta terça-feira, participaram (e tiveram direito a discursar) 25 convidados, entre os quais, o primeiro-ministro da Rússia, o ministro dos Negócios Estrangeiros da França ou o ministro das Infraestruturas do Canadá, bem como os CEO da Cisco, Suzuki, Vodafone UK. Com delegações de dezenas de países, juntaram-se no pavilhão cerca de 5000 mil pessoas.

Apesar de ser uma economia cada vez mais aberta, o controlo do Estado ainda é grande na Índia e há áreas onde o monopólio é mesmo estatal. Mas há ainda muito por fazer neste país que consegue um crescimento impressionante de 8% por ano e daí a presença de políticos de países tão diferentes em Gujarat.

O tema foi o crescimento sustentado e António Costa explicou os passos que estão a ser dados por Portugal, desde logo no combate às alterações climáticas, na descarbonização dos transportes, "na passagem do transporte individual para o coletivo" e "promovendo a mobilidade elétrica". Mas a mensagem principal foi a questão das energias renováveis. Segundo o primeiro-ministro, 61% da energia produzida em Portugal vem de fontes renováveis. "Queremos estar na linha da frente das energias renováveis", garantiu, lançando o desafio à Índia de que as energias renováveis sejam a "startup" da futura parceria entre os dois países.

Oportunidades foi das palavras mais ouvidas nestes quatro primeiros dias da visita de António Costa à Índia e isso, afinal, acaba por ser fácil de perceber num país onde a água canalizada é um luxo, o saneamento básico quase não existe, o trânsito é caótico e o hábito de buzinar tão ensurdecedor que o Governo já está a fazer campanhas de sensibilização contra a poluição sonora.

Nesta reunião do Vibrant Gujarat, Modi voltou a ser a estrela da festa, embora já não ao nível do que sucedera na véspera, na convenção da diáspora, que distinguiu Costa, onde o primeiro-ministro indiano teve direito mesmo a claque. Quando entrou em palco, as pessoas gritavam "Modi, Modi" com um entusiasmo que parecia que estavam a ver a sua estrela de rock preferida.

Há quem diga que são "groupies" pagos. A verdade é que há um culto da personalidade, pouco habitual no mundo ocidental. Tanto em Bangalore, onde decorreu o Pravasi Bhartiya Divas, como em Ahmedabad, onde teve lugar o Vibrant Gujarat, as ruas encheram-se de cartazes com a cara de Modi, a anunciar a sua presença na cidade. No recinto do Vibrant Gujarat, havia mesmo um stand com a roupa típica do primeiro-ministro para quem quisesse seguir a sua moda e um Modi em tamanho real para as pessoas tirarem selfies. É todo um mundo novo e um mercado a explorar.