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Índia homenageia Soares com um minuto de silêncio

Convenção da diáspora, que distingue este ano Costa, abriu com momento dedicado ao ex-PR, "um grande amigo"

Helena Pereira

Helena Pereira

em Bangalore

Editora de Política

A 11400 km de distância, cerca de duas mil pessoas fizeram na manhã deste domingo um minuto de silêncio em memória de Mário Soares. Na abertura da grande convenção da diáspora indiana (Pravasi Bharatiya Divas) que este ano homenageia António Costa, as primeiras palavras foram para o ex-Presidente da República, "um bom amigo da Índia". Seguiu-se um minuto de silêncio no enorme pavilhão de Bangalore (o Silicon Valley da Índia) que tinha no centro do palco Costa e o seu homólogo, Narendra Modi.

O primeiro-ministro português agradeceria uns instantes depois, no seu discurso, aquele gesto, lembrando que, nos anos 70, como ministro dos Negócios Estrangeiros, Soares foi um dos responsáveis pelo restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, suspensas desde 1961. "Foi um líder global e um arquiteto das relações entre Portugal e Índia", elogiaria também Modi.

Mário Soares morreu ao início da tarde deste sábado, já era hora de jantar na Índia. Costa tinha acabado de sair de um jantar em sua honra no Palácio Presidencial quando soube da notícia. Depois de falar com a família de Soares e com o Presidente da República ficou a aguardar que Marcelo Rebelo de Sousa fizesse a sua declaração ao país para reagir de seguida à morte do antigo chefe de Estado - pelo sim, pelo não, já levava na mala uma gravata preta para a ocasião.

A visita de Estado à Índia não foi adiada. Costa manteve o programa tal como já tinha decidido em Lisboa antes da partida, caso se verificasse a morte de Soares nos dias em que estivesse fora do país.

Na Índia, está ainda presente na memória de muitas pessoas a visita que Mário Soares fez aquele país em 1992 quando era Presidente da República. Foi uma das maiores visitas oficiais de Soares enquanto PR e teve o simbolismo de o representante de uma antiga potência colonizadora ter sido recebido em braços na antiga colónia.

Dirigindo-se à cinvenção indiana na diáspora esta manhã, António Costa salientou a existência de uma cultura de tolerância religiosa no país e dirigiu-se diretamente aos representantes da diáspora indiana convidando-os a apostar em Portugal “para investir, estudar ou residir”.

Na sua intervenção, o governante procurou também defender a tese de que "Portugal tem uma localização geográfica chave para acesso aos principais mercados mundiais", com “o mesmo fuso horário da Irlanda e Reino Unido e com Lisboa a possuir voos diretos para 121 cidades”.
“Portugal ocupa lugares cimeiros nos 'rankings' sobre qualidade das suas infraestruturas, nas telecomunicações, tem uma mão-de-obra flexível e produtiva. Possui um regime fiscal especial para não residentes e uma população com conhecimentos para falar línguas estrangeiras”, sustentou ainda.