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Declaração de Rio ‘mata’ congresso em 2017

Rui Duarte Silva

Direção do PSD afina estratégia de comunicação com nova newsletter e mais presença junto das bases em ano eleitoral

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

A declaração de Rui Rio ao Expresso da semana passada — considerando que “um congresso antecipado [do PSD] só faz sentido se o líder sair” — pôs um ponto final na especulação sobre a marcação de uma reunião magna do partido nos primeiros meses deste ano para desafiar a liderança de Pedro Passos Coelho. “Há assinaturas, mas não há candidato”, constata um apoiante de Rio envolvido no processo de recolha das assinaturas necessárias para a convocação do conclave extraordinário.

Conforme o Expresso noticiou na edição de 23 de dezembro, os críticos de Passos Coelho que apostam em Rui Rio para a presidência do partido conseguiram recolher as 2500 assinaturas obrigatórias para desafiar em congresso a atual liderança do PSD. A ideia era avaliar, no início do ano, a evolução das sondagens e dos processos de escolha dos candidatos autárquicos do partido — e avançar mesmo para um congresso, no caso de o PSD continuar a cair nas intenções de voto e de a seleção dos candidatos às eleições locais alimentar o mal-estar nas estruturas do partido. Apesar de Rio sempre ter colocado a sua disponibilidade para se candidatar à liderança no horizonte de 2018 — quando está previsto um congresso ordinário, já depois das autárquicas —, havia a esperança de que o ex-autarca do Porto não se furtaria ao confronto caso os calendários fossem antecipados.

Mas Rui Rio não gostou dessas movimentações e gostou ainda menos de as ver noticiadas. Deixou claro aos seus apoiantes que não tenciona medir forças com Passos em ano eleitoral e, para tornar essa posição ainda mais definitiva, disse isso mesmo em on ao Expresso: “Um congresso antecipado só faz sentido se o líder decidir sair. Caso contrário, o normal era cumprirem-se os prazos.”

Ou seja: não haverá congresso extraordinário em 2017, pois sair é coisa que não está nos planos de Passos. Pelo contrário. O ano novo trouxe acertos na estratégia de comunicação do PSD, com uma nova newsletter com que a direção social-democrata espera estreitar o contacto com os militantes e estruturas do partido e marcar a agenda mediática.

Jantares com casa cheia

Na primeira semana, a newsletter incluiu textos de opinião de Pedro Passos Coelho, do líder parlamentar Luís Montenegro, do primeiro vice-presidente Marco António Costa e do cabeça de lista em Bruxelas, Paulo Rangel. Passos denunciou a ausência de visão estratégica do Governo, Montenegro apontou o dedo à esquerda por bloqueio ao regular funcionamento do Parlamento, Marco António acusou o Governo de condicionar o orçamento deste ano ao calendário das eleições autárquicas. A nova plataforma de comunicação, que chega diariamente a cerca de 40 mil pessoas, de acordo com dados do partido, serviu também para noticiar em primeira mão as propostas do PSD para o “plano nacional de ação para o envelhecimento positivo”.

Por outro lado, Passos Coelho está a intensificar o contacto direto com as bases. Este fim de semana, há dois jantares para mostrar casa cheia: um ontem, em Arcos de Valdevez, e outro este sábado, em Vila Verde, uma das mais importantes concelhias do partido. A deslocação ao Norte inclui também as janeiras em Ponte da Barca e um almoço com empresários em Barcelos. Além da oposição ao Governo, as autárquicas estão na agenda.

“Business as usual”, garantem os colaboradores de Passos, que negam qualquer perturbação motivada pelas movimentações da oposição interna. De resto, o líder do PSD desvalorizou as notícias sobre um eventual congresso antecipado, que nunca acreditou que fosse por diante.