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Costa volta a justificar falta a funeral de Soares: “O PM não tem vontades pessoais, faz o que deve fazer”

TIAGO PETINGA/ Lusa

Primeiro-ministro está a ser criticado por não interromper visita de Estado à Índia. Voltou a explicar que motivos da viagem sobrepõem-se à sua vontade pessoa, de amigo do ex-PR. Momentos mais informais da visita à Índia vão ser cancelados

Helena Pereira

Helena Pereira

em Bangalore

Editora de Política

O primeiro-ministro, António Costa, voltou a justificar hoje a sua decisão de manter a viagem de Estado à Índia e não estar pessoalmente presente no funeral de Mário Soares - fez uma declaração em vídeo que será transmitida nos Jerónimos.

"Trata-se de uma visita de Estado e o primeiro-ministro não tem vontade pessoal. Faz o que deve fazer", explicou aos jornalistas em Bangalore, onde prossegue a visita à Índia, sublinhando que não deixará de estar presente nas exéquias fúnebres através de uma mensagem em vídeo que gravou esta tarde.

Costa acrescentou que "se fosse uma vontade pessoal, gostaria de fazer o que todos os amigos de Mário Soares gostariam de fazer, estar presentes e dar um abraço à Isabel e ao João [filhos do ex-PR]".

No sábado, na reação à morte de Soares em que anunciou um luto nacional de três dias, o primeiro-ministro já tinha explicado que não podia, por razões de Estado, cancelar a visita. Ao seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, diria que Soares, na sua posição, faria exatamente o mesmo. Ontem, Costa disse o mesmo, explicando que a família do ex-Presidente compreendeu bem a decisão.

Mas no PS nem toda a gente aceitou bem a ausência de Costa. Segundo o jornal i, vários socialistas telefonaram ontem para a sede do PS a lamentar a posição do primeiro-ministro e fizeram nas redes sociais vários comentários negativos.

Questionado pelos jornalistas sobre como encarava essas críticas, Costa esquivou-se: "Não tenho nenhum comentário a fazer".

O programa na Índia não foi cancelado, mas vai haver algumas adaptações, revelou o chefe do Executivo. Tudo o que seja mais festivo será cancelado, como possivelmente um percurso a pé em Goa, terra do seu pai, Orlando da Costa. "Os momentos mais informais da visita serão eliminados", prometeu.

Hoje, Mário Soares foi homenageado com um minuto de silêncio na grande convenção da diáspora em que Costa participou como convidado principal. "Foi um momento muito marcante", comentou, recordando a última homenagem feita em vida, a 23 de julho, para assinalar os 40 anos da eleição de Soares como primeiro-ministro. "Felizmente, pudemos prestar uma homenagem em vida como ele merecia e como era exigido por tudo o que ele fez pelo país".