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Toni: “Não sei se ele tinha clube, mas o Mário Soares é o meu ídolo, é a palavra liberdade”

O antigo jogador e treinador do Benfica conta o seu lado da história de uma fotografia dos nossos arquivos

Tenho aqui uma fotografia sua, ao lado de Shéu e de Veloso, com Mário Soares. Estão os três com um autocolante que diz “Soares Presidente” e é de 1985.
Não estou bem a ver qual é essa fotografia, mas tenho cá em casa outra, de 88, quando o Benfica foi recebido pelo Mário Soares em Belém antes do jogo contra o PSV, aquela final da Taça dos Campeões Europeus – lembras-te?. Mas creio que essa, de 85, terá a ver com a candidatura às presidenciais. Sabes, é que o Mário Soares é o meu ídolo, político, entenda-se; o meu ídolo futebolístico foi o Matateu.

Apoiou sempre Mário Soares?
Ora bem, apoiei-o em duas candidaturas, mas na última tive de dizer que não quando me convidaram para o apoiar publicamente. Achei que o tempo dele já teria passado e, então, votei no Manuel Alegre. Mas não me esqueço nem esquecerei nunca do que representa Mário Soares – falar de política e de liberdade é falar de Mário Soares. Ele é a palavra liberdade.

Sempre foi socialista?
O meu lado político começa com o meu pai, que era tipógrafo na aldeia onde nasci, Mogofores. Ele era apoiante de Humberto Delgado, contra o Estado Novo e a ditadura; mais tarde, quando fui para Coimbra, estudar e jogar. O Lucas Pires foi meu professor e conheci o Almeida Santos, fiz parte das chamadas lutas estudantis. E foi a partir daí que nasceu a minha ligação ao PS. Obviamente, nunca fui abordado diretamente por Mário Soares para o apoiar e quando falava com ele, enfim, não iria falar de desporto.

Porquê?
Não me parecia dado a essas coisas, não era a praia dele. Não sei sequer se ele tinha clube ou não e, para falar de hóquei em patins, talvez fosse preciso aparecer com um stick em casa [riso].

Do que falavam?
Coisas de circunstância, ele era bem-disposto. Por vezes, encontrava-o no restaurante Porto de Santa Maria, eu com a minha família, ele com a família dele. É curioso que, nos últimos dias, também estive no Hospital da Cruz Vermelha por razões familiares e encontrei lá o Eduardo Barroso, sobrinho de Mário Soares. Ele ficará para a história. Nos últimos 50 anos é impossível falar de política e não falar de Mário Soares.