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Soares, uma vida (parte 3): as históricas 18h daquela quinta-feira

Mário Soares foi o primeiro secretário-geral do Partido Socialista. Fundada em 1973, a nova força partidária viria a dar cartas no Portugal de antes e pós-25 de Abril. Um ano antes da Revolução dos Cravos, e sob a égide de Soares, o PS foi dos principais contestatários da visita que Marcello Caetano efetuou a Londres. O líder recém-eleito esteve entre os manifestantes que protestaram frente à embaixada de Portugal na capital britânica

SIC Notícias

19 de abril de 1973. A cidade alemã de Bad Münstereifel acolhe em congresso os militantes da Ação Socialista Portuguesa. Nesse dia rumaram à urbe da Renânia-Vestefália 27 oposicionistas oriundos de Portugal, de Londres, de Paris, de Genebra, da Suécia, da Argélia e do Brasil, entre outros destinos.

A discussão em torno da criação do Partido Socialista não foi consensual: sete delegados contestaram o momento da criação do partido, de estrutura frágil e com receio que fosse o ponto de partida para uma união mais à esquerda, entenda-se com o Partido Comunista; curiosamente, um dos votos contra partiu de Maria de Jesus Barroso, mulher de Mário Soares desde 1949; porém, às 18h daquela quinta-feira, véspera de sexta-feira santa e Dia do Índio no Brasil, todos aplaudiram o primeiro dia do resto da vida do PS.

O partido recém-criado fora de portas não perdeu tempo a transpô-las em matéria de oposição. De entre os documentos mais relevantes saídos do encontro que fundou o Partido Socialista está a brochura de protesto contra a visita de Marcelo Caetano a Londres e de divulgação da criação do próprio partido. E se a segunda parece de óbvia explicação, cumpre aqui dizer que a primeira se refere à deslocação efetuada pelo então Presidente do Conselho à capital britânica a 16 de julho de 1973. Na véspera, dezenas de pessoas manifestaram-se frente à embaixada de Portugal em Londres, protestando contra a visita de Marcello Caetano e proclamando, alto e bom som, a natureza fascista do Governo português, bem como a sua política, apelidada de ditatorial.

Só em agosto de 1973 foram aprovadas a Declaração de Princípios e o Programa do PS; este preconizava um sistema parlamentar semelhante ao que era prática na Europa Ocidental, mas, sinal dos tempos, contestava o capitalismo como modelo económico.

Mário Soares seria secretário-geral do PS desde a primeira hora, nos idos de 1973, até 1986, altura em que foi eleito para o primeiro de dois mandatos que cumpriu como Presidente da República.