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Soares, uma vida (parte 2): a consolidação do zoon politikon

Mário Soares emergiu em pleno para o combate político ainda durante a sua juventude. Licenciado em Direito, o jovem Soares usou a sua formação académica em prol dos que lutavam contra o antigo regime. A luta valeu-lhe a perseguição política e uma vida feita de sobressaltos e exílio

SIC Notícias

As décadas de 50 e 60 formam em definitivo o político Mário Soares. O epíteto de "zoon politikon" - o "animal político" pela primeira vez referido por Homero - ganha forma e sustentabilidade na "praxis" exercida enquanto ativista e defensor na barra dos tribunais de muitas figuras contestatárias do Regime.

Mário Soares, que em 1958 integrara a Comissão da Candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República, foi o advogado da família na investigação ao assassínio do general, morto pela PIDE em Villanueva del Fresno no dia 13 de fevereiro de 1965.

Neste mesmo ano, Mário Soares é candidato a deputado pela Oposição Democrática, tendo, quatro anos mais tarde, integrado as listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática. De permeio fica a fundação, com Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa, da Ação Socialista - que viria mais tarde a dar origem ao Partido Socialista.

A defesa dos acusados pelo Estado Novo leva Mário Soares a inúmeras presenças no Tribunal Plenário ou no Tribunal Militar Especial, onde as condições dadas aos advogados de defesa estão longe de serem perfeitas. O nome, o desempenho e a fama enquanto causídico tornam Soares uma figura de referência para os que buscam justiça nas acusações de cariz marcadamente político e custam-lhe e à família o sobressalto de uma vida várias vezes em suspenso pela repressão sobre si exercida.

Por 12 vezes é preso, cumprindo no total perto de três anos de cadeia. Em 1968 é deportado sem julgamento para a ilha de S. Tomé. Dois anos depois é forçado ao exílio em França. Aí exerce funções de director de curso em duas universidades de Paris e as de professor convidado na Faculdade de Letras da Universidade da Alta Bretanha, em Rennes.

É em França que surge a primeira edição de um livro que viria a marcar a vasta bibliografia de Mário Soares. 1972 dá a conhecer o retrato de "Le Portugal Baillonné", traduzido depois em inglês, italiano, alemão, espanhol, grego e chinês. A edição portuguesa de "Portugal Amordaçado" só viu a luz do dia já depois do 25 de Abril, no final de 1974.

Um ano antes, na Alemanha, era fundado o Partido Socialista.

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