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Soares, uma vida (parte 1): 12 detenções e uma perseguição no nascimento de um político

Como nasceu, cresceu e se formou um homem - e também um político - que a História consagra como um dos nomes maiores da História Contemporânea portuguesa

SIC Notícias

Filho de João Lopes Soares e Elisa Nobre Soares, de seu nome completo Mário Alberto Nobre Lopes Soares, nasceu em Lisboa ao sétimo dia de dezembro de 1924. O pai, formado em Teologia, foi deputado, governador civil e ministro das Colónias durante a Primeira República.

Os contactos com o progenitor foram, no entanto, irregulares, só assumindo caráter de constância quando Mário Soares rondava os 14 anos de idade. O motivo de tal intermitência explica-se pela ação política de João Soares: republicano convicto e opositor do regime, a luta contra o "status quo" obrigou-o a temporadas fora do país. O exílio determinou que os encontros com o filho fossem ditados pelas escassas oportunidades que a clandestinidade foi, a espaços, permitindo. A contestação de João Soares ao que havia de ser o Estado Novo traduziu-se na forçada alteração de hábitos de uma vida escrutinada pelo poder vigente.

Esta vertente política e oposicionista aos tempos de Salazar viriam a determinar o perfil do jovem Mário Soares; este frequentará e cumprirá o liceu no Colégio Moderno, que o pai funda em Lisboa, e onde permanece desde 1935.

Foi ainda na capital que, em 1951, Mário Soares concluiu a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Unievrsidade de Lisboa. Seis anos mais tarde, o currículo académico engloba uma outra licenciatura, desta feita em Direito e na mesma universidade.

É no universo académico que desponta com maior notoriedade a intervenção política de Mário Soares. Sempre com o apoio do pai, mas não menos livre para tomar as suas opções, o estudante Mário Soares integra sucessivamente vários movimentos de contestação ao Estado Novo, entre eles o Movimento de Unidade Nacional Antifascista e Movimento de Unidade Democrática, de cujo sector juvenil foi fundador no final dos anos 40. Em 49 é secretário da Comissão Central da Candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República.

Toda esta atividade custar-lhe-á 12 detenções e uma perseguição constante pela denominada Polícia Internacional para a Defesa do Estado, que em 1969 há-de chamar-se eufemisticamente Direcção-Geral de Segurança.

É ainda em 1949 que, detido, casa na prisão com Maria de Jesus Barroso. Foi no dia 22 de Fevereiro.

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