Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Marques Mendes: “Foi a maior figura da democracia portuguesa”

Luís Barra

O ex-líder do PSD e comentador da SIC destacou ainda “a influência decisiva” que Mário Soares “teve na integração europeia"

O ex-líder do PSD Luís Marques Mendes, disse que Mário Soares "foi a maior figura da democracia portuguesa" e enalteceu "a coragem política, a visão e o sentido estratégico e a enorme intuição" do ex-Presidente da República.

Em declarações à agência Lusa, Marques Mendes falou das "qualidades políticas de Mário Soares", considerando-as "absolutamente marcantes num político" e que fizeram do antigo chefe de Estado "um político absolutamente decisivo".

"Do meu ponto de vista, o doutor Mário Soares foi a maior figura da democracia portuguesa pelas suas qualidades políticas que ele evidenciou e que do meu ponto de vista são sobretudo a coragem política, a visão e o sentido estratégico e a sua enorme intuição", disse.

Para o antigo líder do PSD, Mário Soares "foi a maior figura da democracia portuguesa especialmente pela influência que teve nas principais fases quer da construção quer da implementação" do regime democrático português.

A primeira destas "três fases capitais" foi antes do 25 de abril, na luta de Mário Soares "pela liberdade, quer quando foi preso - e esteve 13 vezes preso - quer quando foi exilado quer quando esteve deportado".

"Segunda fase igualmente marcante já depois do 25 de abril, em 1975, o combate ao PREC e ao totalitarismo de esquerda que se pretendia implantar em Portugal. É marcante o célebre debate com Álvaro Cunhal que é um dos momentos raros da nossa democracia", recordou.

O comentador político destaca ainda "a influência decisiva que teve na integração europeia" já que foi Mário Soares "enquanto primeiro-ministro a pedir a adesão à CEE e foi Mário Soares, enquanto primeiro-ministro do Bloco Central a assinar o tratado de adesão".

"E finalmente o seu enorme contributo para a normalização democrática de Portugal", disse ainda.

Para esta normalização, Marques Mendes destaca dois momentos, o primeiro em "1982, em que Mário Soares fez uma revisão constitucional patriótica com [Francisco Pinto] Balsemão e com Freitas do Amaral.

"E depois enquanto Presidente da República - o primeiro Presidente da República civil - em que deu um contributo para consolidar e normalizar a nossa vida democrática", destacou.

Mário Soares morreu este sábado, 7 de janeiro de 2017, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado há 26 dias, desde 13 de dezembro. Tinha 92 anos. O Governo já decretou três dias de luto nacional, a partir de segunda-feira.