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Costa quer que a Índia descubra Portugal: “Aguardamos um forte investimento indiano”

António Costa com o primeiro-ministro indiano, Narenda Modi

Tiago Petinga/ Lusa

Dando o exemplo de como o capital chinês foi bem recebido, o primeiro-ministro apelou em Nova Deli para que os empresários indianos olhem para Portugal, um país que pode ser a grande porta de entrada na UE depois do Brexit e também no mercado da CPLP

Helena Pereira

Helena Pereira

Em Nova Deli

Editora de Política

"Portugal é um pais totalmente aberto ao investimento estrangeiro. Tenho esperança que esta visita ajude a lembrar aos empresários indianos que conhecemos há 500 anos que é altura de estarem mais presentes em Portugal". No primeiro dia de uma visita oficial à Índia, António Costa foi direto ao assunto. A deslocação, que se seguiu a um convite pelo facto de Costa ser o primeiro chefe de Governo na Europa com raízes indianas, tem que servir para aumentar as trocas comerciais entre os dois países, ajudar ao crescimento da economia portuguesa, o grande desígnio do atual Governo, frisou.

O primeiro-ministro puxou de vários trunfos, a relação histórica com a Índia, a possibilidade de, com o Brexit, Portugal tornar-se "uma excelente porta" de entrada na União Europeia, bem como para os países da CPLP e o exemplo do capital chinês que foi bem recebido.

No seminário do Observer Research Foundation sobre "a Índia e o espaço lusófono", em Nova Deli, Costa destacou: "O investimento chinês tem sido muito bem recebido e é com gosto que aguardamos investimento fortemente indiano em Portugal". E elencou as áreas onde a cooperação pode ser maior: indústrias de defesa, novas tecnologias, indústria farmacêutica, infra-estruturas, gestão de águas e resíduos. Tal como na recente visita à China usou o argumento de Portugal ter o mesmo fuso horário que a Inglaterra como fator competitivo numa altura em que aquele país decidiu sair da União Europeia. "Espero que a terra seja fértil para que as sementes floresçam", diria aos jornalistas.

No seminário, aliás, foram colocadas algumas questões, nomeadamente, sobre a ajuda que Portugal pode dar na relação com Moçambique, país com uma grande comunidade indiana.

Um dos passos dados por Portugal para estreitar relações com a Índia é a simplificação do regime de concessão de vistos a estudantes, cientistas e empresários indianos.

Esta manhã, antes do seminário, o primeiro-ministro português foi recebido pelo seu homólogo indiano com honras de Estado no Palácio Presidencial e depositou uma coroa de flores no memorial de Gandhi, onde para cumprir o ritual teve que se descalçar.