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Como os partidos políticos veem a morte de Soares

Da aposta editorial do BE ao esquecimento do CDS, passando pela notas do PSD e do PCP (esta última curta e seca) e pelo natural luto e homenagem do PS: um olhar sobre os sites dos diversos partidos

Pouco mais de seis horas após a notícia da morte de Mário Soares, são diferentes os tratamentos dados ao assunto nos sites institucionais dos diversos partidos políticos portugueses. Através de notas oficiais ou por reações de dirigentes atuais ou antigos, cada uma das forças políticas já se pronunciou à sua maneira durante a tarde deste sábado.

São também essas diferentes visões que estão bem patenteadas nos sites institucionais de cada um dos partidos.

Nesta comparação, o PS é naturalmente um capítulo à parte. A homepage do site foi reformulada, tendo como tema único a morte de Soares.

O punho do símbolo do partido trocou o habitual vermelho pelo negro, sinal inequívoco de que os socialistas estão de luto. A mais célebre autodefinição de Soares ("Sou socialista, republicano e laico") abre o site do PS, que apresenta depois uma extensa biografia do seu fundador e líder histórico.

Nos restantes principais partidos, as abordagens dos respetivos sites colocam Bloco de Esquerda e CDS em extremos opostos.

Na homepage do BE, os cinco primeiros artigos são sobre Soares, que em manchete é apresentado como "figura incontornável da democracia portuguesa".

Parte da vida de Soares é contada em três vídeos colocados no site bloquista, que publica igualmente o comunicado emitido ao início da tarde deste sábado.

Mas apesar do destaque conferido ao político socialista, o BE não esconde que o passado foi muitas vezes feito de desencontros: "Ao longo da sua vida, Mário Soares foi contraditório e frontal nas lutas que escolheu. Marcou todos os momentos determinantes da vida do país, por vezes em conflito e outras vezes em aliança com forças de esquerda".

Nos antípodas do Bloco está o CDS. Cerca das 22h deste sábado, o site do partido, apesar de já ter havido reações de dirigentes, não fizera ainda qualquer eco do desaparecimento do ex-chefe de Estado.

Mais convencionais ou conservadores, por assim dizer, são os critérios de PSD e PCP: a morte de Soares é a primeira notícia de cada um dos sites, que mantêm as respetivas estruturas habituais. Mas as semelhanças ficam-se quase por aqui. No PSD, em que o presidente do partido, Pedro Passos Coelho, demorou poucos minutos a reagir à morte de Soares, a foto de um abraço entre Soares e Passos encima a notícia da "nota de pesar". E no texto do artigo são praticamente apagadas quaisquer divergências ou críticas dos sociais-democratas a Soares.

Omitindo qualquer observação aos anos recentes, em que Soares zurziu severamente no Governo de Passos, o único reparo do PSD a Soares refere-se aos tempos em que o político agora desaparecido desempenhou cargos institucionais (leia-se primeiro-ministro e Presidente da República), "onde naturalmente as atitudes que assumiu e as decisões que tomou não foram isentas de erros ou de polémicas".

Mais curta e direta é a nota do secretariado do Comité Central do PCP "Face ao falecimento do Dr. Mário Soares". Tratou-se da primeira reação dos comunistas, pois quando foi publicada não havia ainda qualquer comentário de um dirigente nacional, nomeadamente de Jerónimo de Sousa. É um texto de apenas três parágrafos, no qual os comunistas lembram o protagonismo de Soares como "personalidade relevante da vida política nacional", mas também salientam as "profundas e conhecidas divergências que marcaram as relações do PCP com o Dr. Mário Soares". Se o PSD iludiu desinteligências recentes, o PCP quis sublinhar divergências mantidas ao longo de décadas.

No primeiro caso, o PCP assinala o papel de Soares como "participante no combate à ditadura fascista", acrescentando o seu desempenho "no apoio aos presos políticos" (como advogado, Soares defendeu vários militantes comunistas e outros opositores ao Estado Novo).

No segundo caso, naquilo que desde o pós-Revolução separa Soares e o PCP, este partido assinala o que no seu entender foi o "papel destacado [de Mário Soares] no combate ao rumo emancipador da Revolução de Abril e às suas conquistas, incluindo a soberania nacional".