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António Costa homenageado na Índia por “excecional mérito” para “o crescimento” do país

De sábado a quinta-feira, o primeiro-ministro português, filho de um goês católico, faz uma visita oficial à Índia onde receberá prémio da diáspora. Vai ser recebido como chefe de Estado num país em que Portugal já foi potência colonizadora

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

António Costa em criança com o pai, Orlando Costa, no Jardim Zoológico, em Lisboa

António Costa em criança com o pai, Orlando Costa, no Jardim Zoológico, em Lisboa

DR

9 de janeiro é um dos dias mais importantes na Índia. É o dia em que Mahatma Gandhi regressou ao seu país depois de 20 anos na África do Sul e tornou-se há alguns anos o momento escolhido para homenagear os indianos da diáspora tornando-se o dia do indiano não-residente. Tem lugar a grande convenção Pravasi Bharatiya Divas que junta cerca de mil pessoas e onde são homenageados os indianos ou descendentes que se tenham distinguido no estrangeiro. Este ano o principal homenageado será o primeiro primeiro-ministro de origem indiana no mundo ocidental, António Costa, filho de um goês, brâmane e católico de Margão, o escritor Orlando da Costa. Tal distinção, segundo o Governo indiano, destina-se a pessoas com “excecional mérito” para “o crescimento” do país.

O convite partiu do primeiro-ministro indiano, Narenda Modi, que tornou esta visita do seu homólogo português numa visita de Estado, onde terá honras iguais a um Presidente da República - as mesmas que tiveram Mário Soares, em 1992, ou Cavaco Silva, em 2007. Com uma diferença: haverá uma grande carga afetiva nesta viagem dadas as raízes de Costa.

Durante a visita, de sábado a quinta-feira, António Costa passa por Nova Deli, Bangalore (o "Silicon Valley" da Índia), Ahmedabad (onde Gandhi viveu durante oito anos) e Goa, antigo território português e onde viveu o seu pai. O Governo indiano, para carregar na homenagem, aproveita para lançar durante a visita duas obras em língua inglesa de Orlando da Costa, "O signo da ira" e "Sem flores nem coroa". Em Goa, será ainda inaugurado o Centro de Língua Portuguesa e haverá, para, além do encontro com a comunidade portuguesa, visitas ao emblemático Bairro das Fontainhas, à igreja do Bom Jesus e um concerto de uma fadista goesa.

Acompanhado de cinco ministros e 30 empresários, António Costa irá aproveitar a visita que se inicia amanhã para lançar sementes e estimular as trocas comerciais entre os dois países que são incipientes. A Índia, que está a crescer 8% ao ano (acima da China, portanto), aparece como o 48º destino de exportações portuguesas, sendo que estas representam cerca de um quarto das importações. "Estamos a semear, não a fechar negócios", explica fonte do gabinete do primeiro-ministro. Está prevista a sua presença na abertura de um seminário económico, um encontro com 25 CEO indianos e também com empresários de Bollywood, a maior indústria cinematográfica do mundo.