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Política

Ferreira Leite admite nacionalização do Novo Banco

Apesar da opção ir contra a sua posição ideológica, a ex-líder do PSD admite-a considerando que, tendo em conta a sua relevância na economia portuguesa, não se pode correr o risco que ocorra a destruição da instituição bancária

“Ideologicamente não serei a favor de uma nacionalização, mas entre uma má proposta e a nacionalização, eu iria para a proposta menos má”, afirmou Manuela Ferreira Leite, no seu comentário habitual de quinta-feira à noite na TVI24, a propósito das negociações em curso para a venda do Novo Banco.

Os fundos de investimento Lone Star oferecem 750 milhões de euros pela compra, comprometendo-se a investir outros 750 milhões da recapitalização da instituição, mas pedem garantias ao Estado português no valor de 2 mil milhões. O que leva a economista a concluir que “o que está em causa é praticamente nós pagarmos para nos comprarem o banco”.

Mas mais do que a questão do baixo valor da venda, Ferreira Leite manifesta a sua especial preocupação pelo historial da Lone Star na compra de empresas em dificuldades, para as reestruturar, remodelar e posteriormente vender, o que a leva a temer que venham a “desmembrar” o Novo Banco, fazendo a instituição desaparecer.

A social-democrata disse que deviam ser dados esclarecimentos aos portugueses sobre qual o projeto do eventual comprador para o Novo Banco.

Dada a relevância da instituição bancária na economia nacional, admitiu por isso a hipótese da nacionalização, ainda que a título temporário, de modo a poder vir a ser vendida em melhores condições, frisando que a destruição do banco também seria altamente lesiva para os contribuintes.

Ferreira Leite comentou ainda a anunciada campanha do PCP a favor da saída do Euro, manifestando-se perplexa com a iniciativa, especialmente por vir de um partido que costuma agir com “seriedade intelectual”.

“A minha perplexidade é por esta iniciativa vir do PCP, que não considerava capaz de demagogia (...) Não é possível fazer seriamente uma campanha destas sem dizer ao que vêm, dizer que país fica se sairmos do euro”, caso contrário “é um enorme descrédito para o PCP e para os políticos”.

A economista realçou o facto do partido estar a apoiar um Governo que é contrário à saída do euro, considerando por isso que a campanha do PCP é em favor de algo “que não tem adesão à realidade”,o que, no seu entender, é ainda mais agravado por os comunistas defenderem também “uma reestruturação da dívida”, o que qualificou como um “soundbite que fica bem”.