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Carlos Moedas: encarar o medo ajuda a “explicar a globalização”

NUNO FOX/LUSA

É preciso “civilizar a globalização para combater o medo”, disse o comissário europeu Carlos Moedas. A luta contra o medo que insiste “em tomar conta de tudo” é um dos maiores “desafios que temos de enfrentar em 2017”. O outro, é Portugal assumir um lugar de liderança num “mundo em transformação”

Manuela Goucha Soares

Manuela Goucha Soares

com Lusa

Jornalista

O combate ao medo que ameaça tomar conta da Europa e de todos nós, paralisando os mecanismos de desenvolvimento e coesão social, foi um dos temas escolhidos pelo comissário europeu Carlos Moedas para a sua intervenção na sessão inaugural da edição deste ano do “Seminário Diplomático”.

Com um discurso mais global do que aquele que nos habituou a ouvir quando era secretário de Estado Adjunto de Passos Coelho, Moedas citou uma passagem de um livro de Pascal Lamy [ex-diretor-geral da organização Mundial do Comércio], para dizer que o combate ao medo é uma obrigação e um dever da União Europeia para com o resto do mundo, já que “nós na Europa somos os únicos capazes de civilizar a globalização”.

Carlos Moedas, que foi o primeiro orador da sessão desta manhã do “Seminário Diplomático”, lembrou que os europeus têm uma “maior intolerância à desigualdade, uma maior preocupação com o coletivo, e uma maior sensibilidade [para as questões] do ambiente e do clima.

O combate ao medo tem “um pilar político e um pilar económico”; e são eles que nos permitirão evitar “quebras de solidariedade” na gestão da crise dos refugiados, da partilha de informações por parte dos serviços de segurança entre os diversos Estados-membros, e de custos: “Não se podem ter os benefícios” da pertença a um coletivo europeu, “se não contribuirmos” todos da mesma forma.

Portugal deve assumir papel central

"Portugal pode e deve ter um papel central nas escolhas complexas que a Europa tem de tomar nos próximos tempos", declarou o comissário europeu, neste encontro promovido pelo ministério dos Negócios Estrangeiros que anualmente reúne durante dois dias, os embaixadores portugueses e membros do Governo e representantes da sociedade civil e dos meios empresarial e académico.

Moedas lembrou que vivemos uma época em que muitos “países europeus [estão] confrontados com a ameaça de populismo”. Há “lideranças europeias com falta de memória sobre os benefícios do projeto europeu”, e é por isso que “países como Portugal têm hoje uma obrigação acrescida de salientar e defender as múltiplas conquistas da União Europeia": "O mundo está a mudar, a posição da Europa no mundo mudou e nós não nos apercebemos".

"O caminho que devemos seguir é unir e agregar? ou dividir e fragmentar? Penso que a resposta é óbvia e Portugal tem aí um grande papel", disse, referindo como Portugal sempre conseguiu "prosperar por via de grandes alianças e uma grande dose de pragmatismo".

"O que mais me surpreende é que, num mundo cada vez mais complexo e competitivo, alguns decidam, por referendo, regressar e retrair-se às suas fronteiras, em vez de abraçar um projeto de bloco regional", lamentou, numa referência à saída do Reino Unido da UE, decidida no ano passado por referendo.