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António Domingues: “Demiti-me porque fiquei sem equipa”

Luís Barra

António Domingues esclarece que demitiu-se da presidência da Caixa por ter ficado sem equipa após a demissão de sete administradores. “Era do melhor interesse da Caixa demitir-me”, defendeu o gestor, admitindo que “"gostaria de ter continuado a trabalhar” no banco público

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

(foto)

Fotojornalista

"Ia ficar sem equipa, demitiram-se sete administradores. Sem equipa teria dificudade em gerir a Caixa. Pessoalmente senti que não tinha condições para o fazer. Era do melhor interesse da Caixa eu demitir-me", afirmou António Domingues, perante os deputados, esta quarta-feira, na Comissão de Orçamento, onde está a prestar declarações sobre a sua demissão na Caixa e a esclarecer questões sobre o plano de recapitalização do banco público.

"Gostava muito de continuar na Caixa. Gostei imenso de trabalhar na Caixa, mas concluí que não tinha condições para o fazer. Foi uma experiência muito rica", sublinhou o gestor que presidiu o banco público entre o final de agosto e dezembro de 2016. António Domingues era vice-presidente do BPI, cargo que ocupava quando foi convidado pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, para a presidência da Caixa.

António Domingues não adiantou porém, nem nada disse sobre as razões que levaram à demissão dos sete administradores. Porém, tinha já deixado subentendido que a demissão estava relacionada com a obrigatoridade de apresentação da declaração de património, depois de ter sido acordado com o ministro das Finanças de que tal não seria necessário, ao abrigo da alteração do estatuto do gestor público. Domingues voltou a dizer que para que o plano de recapitalização fosse aprovado em Bruxelas seria necessário que fossem cumpridas as regras do mercado, ou seja, os gestores fossem remunerados como se de um banco privado se tratasse.

António Domingues reconhece perante os deputados que a sua presença na Caixa se tinha tornado incomoda para o Executivo de António Costa. "O Governo a partir de certa altura deixou de ter condições para manter os compromissos relativos às condições que eu tinha colocado. Percebo isso. O debate (político) nos termos e que estava a evoluir ia criar dificuldades (à Caixa", afirma.