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Santana: “António Domingues está a tornar-se numa assombração”

A polémica em torno do presidente demissionário da Caixa Geral de Depósitos, a venda do Novo Banco ter recaído para “escolhas de segunda linha” e a perigosa subida das taxas de juro foram alguns dos assuntos comentados por Pedro Santana Lopes e por António Vitorino

Pedro Santana Lopes afirmou que o facto de António Domingues querer deixar a presidência da Caixa Geral de Depósitos (CGD) - antes da chegada do aval do Banco Central Europeu para que o seu sucessor, Paulo Macedo, inicie formalmente funções - cria um problema desnecessário.

“António Domingues está a tornar-se numa assombração”, afirmou no seu comentário de terça-feira à noite na SIC Notícias, considerando que “o que importa é que acabe esta novela”. “O ano de 2016 foi marcado por António Domingues, que a maior parte de nós nem sabe quem é e que não pára de nos fustigar”, acrescentou.

António Vitorino complementou o comentário afirmando que “não havia necessidade” de ter surgido este problema, notando que era muito pouco provável que as instâncias europeias tivessem dado “luz verde até ao final do ano para a nova administração da CGD”.

Relativamente ao processo de venda do Novo Banco, Vitorino frisou que neste momento “já estamos no domínio das escolhas de segunda linha”, naquilo que era uma oportunidade de ter-se feito uma “consolidação do sistema financeiro português”, considerando que uma venda, a estes “fundos muitos peculiares”, dará lugar ao “estraçalhamento do banco”.

Santana realçou que a instituição tem uma ligação muito grande às pequenas e médias empresas, com “70% do seu crédito” concedido às empresas e que, “tendo em conta essa ligação ao tecido económico português”, o Governo “não pode entregar o Novo Banco a qualquer custo, só para fechar o dossiê”.

Vitorino realçou que a questão passa não só pela quantia paga pela aquisição, mas também pela necessidade de que a instituição venha a ser recapitalizada.

Ambos os comentadores admitiram que a alternativa poderá passar pela não venda. Vitorino disse que uma nacionalização teria custos para os contribuintes, notando contudo que é neste momento é preciso escolher “a solução menos má”.

Em relação à subida dos juros da dívida portuguesa ocorrida esta terça-feira, Vitorino notou que estes são “os imponderáveis mais sérios” com que o país tem atualmente de lidar, mostrando-se contudo esperançado que tenha sido apenas “um pico”, até porque, tendo em conta as eleições que se avizinham, a “Alemanha não quer grandes problemas até outubro”.