Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Quem é o independente que o PSD escolheu para enfrentar Rui Moreira

PSD Porto vai anunciar nos próximos 15 dias o docente Álvaro Santos Almeida como opositor de Rui Moreira na corrida ao Porto

Portista fanático, ex-quadro do FMI, escolhido por Paulo Macedo para a Entidade Reguladora da Saúde, irmão do presidente da NOS. Mas poucos o conhecem. Aos 52 anos, o independente Álvaro Santos Almeida é o nome escolhido pela concelhia e distrital do PSD para enfrentar a poderosa recandidatura do independente Rui Moreira à Câmara do Porto. PSD está dividido

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Miguel Seabra, líder da concelhia do PSD Porto, garante que até agora ainda não foi feito o convite formal a Álvaro Santos Almeida para ser o candidato do partido à segunda Câmara do país, situação que deverá ocorrer em meados de janeiro, após o nome do docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto ser confirmado, esta semana, ao nível concelhio e na próxima semana na distrital.

Álvaro Santos Almeida é o nome mais insistentemente apontado desde novembro nos meandros do partido para tentar travar a recandidatura do independente Rui Moreira, já apoiada pelo CDS e a que se deverá aliar o PS, parceiro de coligação pós-eleitoral na Câmara do Porto que não deverá ir a votos.

Apesar de pouco mediático e de não ser um notável da política local, o docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, ex-quadro do FMI e ex-presidente da Entidade Reguladora da Saúde, foi eleito há um ano presidente do conselho estratégico do PSD Porto, posição que serviu para cimentar o seu peso na hierarquia de um partido dividido na cidade desde a candidatura falhada de Luís Filipe Menezes nas últimas autárquicas.

Depois de nomes como Paulo Rangel e Rui Rio terem sido descartados, por indisponibilidade, Álvaro Santos Almeida foi opção mais consensual das estruturas locais, capaz de unir as fações que apoiaram Menezes e a que se colocou ao lado de Rio na candidatura independente de Rui Moreira nas eleições de 2013.

“É um servidor da causa pública, não é nem nunca foi militante de qualquer partido, nem nunca foi um assalariado da política”, diz Miguel Seabra, para quem a não filiação no PSD “não é um óbice, numa altura em que a credibilização dos candidatos junto dos cidadãos é mais importante do que a cor partidária”.

Oriundo do centro-direita, o ex- presidente da Entidade Reguladora da Saúde e comentador do programa da Renascença “Conversas Cruzadas” não teve qualquer atividade partidária até ao início de 2016, tendo começado a colaborar com o PSD em fevereiro, quando participou nas Jornadas Parlamentares do partido e passou a coordenador do conselho estratégico do PSD/Porto, sendo ainda relator do Fórum Políticas Sociais do PSD.

Apesar da convergência da maioria dos dirigentes locais, a solução laranja para a Câmara do Porto Santos Almeida não é unânime. Entre os críticos contam-se Marques Mendes, que preconiza que o PSD já entregou a vitória a Rui Moreira, e Luís Artur Pereira, líder da assembleia municipal do PSD, que ao que o Expresso apurou também “não se conformar” com a condição de um candidato sem filiação ao partido para governar a segunda mais importante Câmara do país.

Não é esta, contudo, a opinião de Amorim Pereira, vereador laranja sem pelouro da Câmara do Porto. “Por não ser político de carreira, não tem anticorpos, é conceituado na cidade e um reputado académico”, diz Alberto Amorim Pereira. O vereador a quem o PSD local retirou a confiança política por ter votado favoravelmente o orçamento do município foi professor do mais que provável candidato autárquico na Faculdade de Engenharia do Porto, recordando que lhe deixou “muito boa impressão, como estudante aplicado e pessoa de carácter”.

Fora da militância ativa local e apesar dos elogios, Amorim Pereira salienta, no entanto, que a escolha surge “por não haver alternativa vencedora, dado ser raro um notável da política dar a cara para não ganhar”.

Defensor do apoio do PSD a Rui Moreira, Amorim Pereira diz que a opção Santos Almeida servirá para manter “tranquilo o eleitorado mais fiel ao partido”, mas não acredita que cause mossa à recandidatura de Moreira.

Sobre o atual presidente da Câmara, o comentário mais duro que se conhece a Santos Almeida foi proferido em junho no “Conversas Cruzadas”, tendo o agora o presumível candidato afirmado que no Porto manda o PS e “Rui Moreira é figura decorativa”.

Portista, frontal e bem-humorado

Álvaro Santos Almeida nunca foi militante de nenhum partido mas sempre se moveu no centro-direita, próximo da família social-democrata. Professor associado da FEP, é diretor do mestrado em Gestão e Economia de Seviços de Saúde e docente da Porto Business School. Foi presidente do Agrupamento Científico de Economia da FEP de 2011 a 2015, reconhecido pelos seus alunos pela capacidade pedagógica. Na carreira de serviço público, destacou-se como presidente do conselho diretivo da Administração Regional de Saúde do Norte de fevereiro de 2015 a 2016, nomeado por Paulo Macedo, função de que pediu a demissão na início da vigência do atual Governo.

Entre 2005 e 2010 presidiu à Entidade Reguladora da Saúde, tendo por nomeação do ex-ministro da Saúde coordenado a comissão de acompanhamento da reforma hospitalar (2014/15), que lhe atribuiu a medalha de serviços distintos, grau ‘ouro’, pela prestação de serviços relevantes à saúde pública.

No final da década de 90, o futuro opositor de Moreira à corrida autárquica viveu três anos em Washington, a trabalhar no FMI, onde participou em missões à Venezuela, ao México, Equador e à Arménia no quadro de monitorização de programas de financiamento.

Em Londres, foi investigador no Financial Markets Group da London School of Economics. Da passagem londrina trouxe o hábito, que mantém com frequência até hoje, de beber um copo com colegas ou amigos no final da jornada de trabalho.

Irmão de Miguel Almeida, presidente da NOS, Álvaro foi o nome escolhido pelo ex-ministro da Economia Álvaro Santos Pereira para presidir à Autoridade da Concorrência, “cargo que que não chegou a exercer dado Pires de Lima entender que podia configurar conflito de interesse”, adianta Miguel Seabra.

Álvaro Santos Almeida nasceu no Porto, onde reside com a sua companheira há 18 anos, mãe dos seus dois filhos – uma rapariga de 12 anos e um rapaz de sete. Gosta de futebol, de futebol americano, sitcoms, de fazer ski e de viajar. É adepto fanático do FC Porto, sócio com lugar anual, sempre o mesmo desde a inauguração do Estádio do Dragão, assistindo a todos os jogos possíveis da equipa em provas caseiras e internacionais.