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Passos acusa Costa de dar mais atenção aos acordos à esquerda do que à prevenção de riscos

Rui Duarte Silva

Na nova newsletter do PSD, escrita com o antigo acordo ortográfico, Pedro Passos Coelho alertou para a falta de tempo e acusa o Governo de não ter conseguido aproveitar “as vantagens da política monetária europeia” e de “oportunidades associadas a um regime de petróleo mais barato”

Portugal “voltou a uma fase de maior vulnerabilidade”, em que não foi capaz de “melhorar a resiliência nacional face a riscos e incertezas externas”, defendeu Pedro Passos Coelho, esta segunda-feira. Num artigo, intitulado “A necessidade de uma Agenda Reformista” e divulgado na newsletter do PSD, o líder social-democrata teceu críticas à governação de António Costa, que acusou de estar mais focado em manter o equilíbrio do acordo com a esquerda do que preparar o país para o futuro.

Sendo Portugal um país que não se “impõe pela força ou dimensão económica”, defendeu Passos, e por isso deve estar preparado para lidar incertezas das políticas externas, “sem ter de pagar um preço muito elevado pelos ajustamentos que tenham de fazer”. “Mais uma vez, a nossa agenda nacional esteve mais voltada para o cumprimento dos equilíbrios internos da maioria de Governo do que para a prevenção de riscos futuros. É caso para dizer, inclusivamente, que a atenção dada à agenda interna implicou uma diminuição da nossa resiliência externa”, referiu no texto escrito com a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

No mesmo artigo, o líder da oposição considerou que, “depois de termos sido bem-sucedidos ao fechar um programa de resgate externo e de apresentarmos uma recuperação económica razoável”, era necessário apostar no crescimento económico. E isso, na sua opinião não aconteceu. Portugal, escreve, tem “vindo a desaproveitar as vantagens da política monetária europeia” e não soube “tirar partido suficiente das oportunidades associadas a um regime de petróleo mais barato”.

“O problema temporal coloca-se agora porque em nenhuma destas duas situações se espera que os anos que temos pela frente sustentem o mesmo nível de oportunidade, que é como quem diz, o tempo não volta para trás e cada vez temos menos tempo para tirar partido das referidas vantagens”, alerta Passos Coelho, embora admita que no ano que agora terminou também houve “boas notícias que ajudam o nosso ego nacional”.

Passos insiste que é necessário “orientar prioridades de modo diferente” e preparar “uma estratégia de médio e longo prazo que faça sentido”. “ Já desperdiçamos demasiado tempo. O que precisamos agora é de enterrar as políticas de reversão, esperando que as que foram realizadas não nos venham a sair demasiado caro, e de colocar em cima da mesa uma agenda reformista que relance a ambição para ter um crescimento significativamente maior e para sustentar uma participação europeia de primeiro plano que nos ajude a ter mais projecção e resiliência no plano global”, concluiu.