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CDS-PP acusa Centeno de estar “a enganar nos números”

MIGUEL A. LOPES / Lusa

Comentando o artigo de opinião que o ministro das Finanças publicou esta segunda-feira no “Jornal de Negócios”, o deputado centrista, Pedro Mota Soares, contesta os dados sobre o suposto crescimento económico e sobre a balança comercial

O deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares contestou esta segunda-feira dados económicos referidos pelo ministro das Finanças num artigo de opinião, refutando os “enganos e propaganda” e pedindo ao Governo a “verdade que traz confiança”.

“Quando lemos artigos do Governo, percebemos que, acima de tudo, o que lá temos são enganos e propaganda e, por isso, é importante denunciar algo que é muito profundamente negativo”, afirmou Mota Soares à Lusa, referindo-se a um artigo de opinião de Mário Centeno publicado esta segunda-feira no “Jornal de Negócios”.

Mota Soares, que contesta dados sobre o crescimento económico e a balança comercial e a argumentação sobre controlo de despesa na administração pública do ministro das Finanças, considerou que o “Governo deve dar confiança aos portugueses, aos empregadores, aos trabalhadores, aos investidores”.

O ex-ministro do CDS declarou que, para o fazer, o executivo, “não se pode enganar nos números, não pode propagandear os números, porque a verdade está para lá disso e é a verdade que traz confiança”.

“Diz o ministro que em 2016 a economia portuguesa cresceu mais do que em 2015. Quando olhamos para os dados que são conhecidos, os três primeiros trimestres de 2016 por comparação com os três primeiros trimestres de 2015, nós percebemos que em 2015 a economia portuguesa estava a crescer 1,6% e em 2016 só estava a crescer 1,1%. Os números do senhor ministro estão incorretos”, afirmou.

“O ministro diz que Portugal tem uma balança comercial equilibrada. Quando olhamos para a balança das transações correntes, quando olhamos para a totalidade das trocas entre Portugal e o estrangeiro percebemos que em 2015 essa balança era positiva em 0,4%, neste momento, em 2016, a previsão é que esteja a zero ou muito perto de zero”, acrescentou.

Mota Soares contesta ainda que Mário Centeno escreva que “controlou a despesa administração pública a administração pública”.

“Para um português que hoje anda de transportes públicos e que tem o caos instalado nos serviços de transportes, para uma família que tem um filho numa escola que não abriu ou que vai a um centro de saúde ou um hospital e fica numa longa lista de espera, percebemos o que significa esse controlo da despesa”, sustentou.

Segundo Mota Soares, “o Governo entra mal em 2017”: “Quando o ministro das Finanças fala, é preciso fazer o contra factual, verificar facto a facto, número a número, porque infelizmente muitos dos números não estão corretos”.

No artigo de opinião publicado no “Jornal de Negócios”, Mário Centeno escreve que “no segundo semestre de 2016, a economia portuguesa está a crescer quatro vezes mais do que no mesmo período de 2015”.

“O efeito de arrastamento do crescimento económico, associado a este forte dinamismo, fará de 2017 um ano de reforço de crescimento da economia portuguesa. Algo que não se podia afirmar no final de 2015”, escreve Mário Centeno.