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Santos Silva recusa ser avaliado por “apanhados”

MIGUEL A. LOPES / Lusa

Ministro pediu desculpa mas frisa que comparação da concertação social a feira do gado foi conversa do foro privado

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

“Se os apanhados passam a ser critério de avaliação política então não sei onde iremos parar.” A reação é do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, quando confrontado pelo Expresso com o facto de a sua conversa com o ministro do Trabalho em que comparou a concertação social a uma feira do gado poder ser motivo de demissão.

Durante o jantar de Natal do grupo parlamentar do PS, na semana passada, Augusto Santos Silva foi filmado por uma câmara da TVI a dizer para o ministro do Trabalho: “O Vieira da Silva conseguiu mais um acordo! Ó Zé António, és o maior! Grande negociante... Era como uma feira de gado! Foram todos menos a CGTP? Parabéns!”

Só esta semana o caso viria a ser notícia, quando o jornal “i” deu conta do incómodo dos parceiros sociais com aquelas declarações. O ministro dos Negócios Estrangeiros resolveu então pedir desculpa publicamente, reconhecendo que as suas palavras tinham sido “excessivas”. Ao Expresso, Augusto Santos Silva explicou ainda que resolveu fazer o pedido público de desculpa não por ter sido aconselhado pelo primeiro-ministro mas, sim, por ter sido “aconselhado” pela “consciência e experiência política”: “Sei que quando algo que fazemos pode suscitar ambiguidade, o melhor é esclarecer.”

O ministro dos Negócios Estrangeiros considera que “o caso está agora plenamente esclarecido” e que se tratou de “uma conversa entre amigos”, ou seja, algo do foro privado. E justificou o uso da imagem da feira de gado, em conversa que frisou ter sido privada. “Comparei a negociação [em sede de concertação social] a uma feira de gado. O que queria dizer com isso era mostrar a dureza da negociação, a complexidade das transações.”

Para Santos Silva, o caso está encerrado, mas alguns deputados da oposição comparam este caso com o das bofetadas ‘oferecidas’ via Facebook a dois críticos do jornal “Público” e que levou à demissão do então ministro da Cultura, João Soares, em abril. Mesmo dentro do Governo, o episódio foi encarado com desconforto, uma vez que ocorreu imediatamente a seguir a um importante acordo na concertação social para o aumento do salário mínimo nacional para €557, já em janeiro. Tanto o PS, como os parceiros do Governo, PCP, BE e Verdes mantiveram-se em silêncio sobre esta polémica.

O jantar de Natal do grupo parlamentar do PS teve lugar no passado dia 22 de dezembro, na Assembleia da República, minutos depois de ter sido anunciado o acordo entre Governo, patrões e UGT.