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Política

CDS duvida que Passos queira acordo em Lisboa

Líder do PSD ainda não falou com Cristas, mesmo depois de Santana sair do jogo. Centristas sobem a parada para acordos alargados

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Pedro Passos Coelho deu luz verde para que o PSD negoceie com o CDS uma coligação em Lisboa, com Assunção Cristas como candidata à Câmara Municipal, mas os centristas começam a ter sérias dúvidas de que os sociais-democratas estejam mesmo interessados nesse acordo. No verão, quando Cristas decidiu avançar para a Câmara, falou diretamente com Passos Coelho sobre a hipótese de um acordo, mas nessa altura o líder do PSD punha as fichas todas em Pedro Santana Lopes. Antes de anunciar a candidatura, Cristas voltou a falar com Passos. Já o líder do PSD não teve a mesma atitude em relação à ex-ministra da Agricultura — nem quando Santana comunicou que estava fora da corrida nem em momento nenhum desde esse anúncio.

“Entre dois líderes que já estiveram no mesmo Governo e não fazem cerimónia, quem quer fazer um acordo pega no telefone e resolve as coisas”, diz um alto dirigente do CDS, acrescentando que, “se Passos quisesse, Lisboa já estava resolvida”. Talvez não queira, conclui a mesma fonte. O que não incomoda a direção centrista: outro responsável do partido assegura que foram dadas instruções precisas “para deixar o PSD decidir o que quer fazer, sem sentir qualquer constrangimento da nossa parte”. “É uma questão do PSD, não é do CDS”, avança uma terceira fonte ouvida pelo Expresso, garantindo que, se e quando o PSD quiser conversar, os centristas estão disponíveis. Mas “terão de ser sempre eles a tomar a iniciativa”.

Segundo o Expresso apurou, Lisboa até não levantaria grandes dificuldades. “Se for preciso, fechamos o acordo amanhã”, diz um dos sociais-democratas envolvidos. A questão é que o PSD quer inserir a negociação de Lisboa num pacote mais amplo, que permita ao coordenador autárquico social-democrata ter ganhos de causa noutros municípios. Não se trata do Porto, onde o CDS há muito que está no barco de Rui Moreira (“Isso era uma hipótese no verão, não agora”), mas de outras autarquias onde o PSD precisa do CDS, desde grandes centros, como Coimbra, Sintra ou Leiria, a Câmaras mais pequenas — incluindo algumas onde o CDS terá a ambição de liderar o ticket, como Portimão. Da parte do CDS, o que se consegue saber é que não abdica da vantagem que sabe ter sobre o PSD a partir do momento em que anunciou a sua própria candidatura a Lisboa: “Se houver coligação em Lisboa, o PSD fica com um problema resolvido. O que não lhe dá margem para nada.”

PSD em polvorosa

A contestação que se levantou no PSD desde que surgiram os primeiros sinais de que, sem um candidato forte, Passos estava a virar-se para a candidata do CDS pode explicar a cautela do líder social-democrata. O vice-presidente da concelhia de Lisboa, Rodrigo Gonçalves, capitaneou a revolta, organizando um jantar com mais de mil pessoas em que desafiou Passos a ser candidato à Câmara. “Se não encontrarmos no PSD um candidato forte, com perfil vencedor, é porque o partido está nas lonas”, reiterou esta semana ao Expresso o nº 2 da concelhia lisboeta.

O desagrado com a “rendição” (palavra usada por Marques Mendes, que tem zurzido esse cenário) do PSD ao CDS em Lisboa chega mesmo à cúpula dos sociais-democratas. Três membros da comissão permanente asseguraram esta semana ao Expresso que o PSD “não vai fazer isso” (apoiar Cristas). Se as negociações com o CDS não derem coligação, as apostas recaem sobre Maria Luís Albuquerque. Nas sondagens internas, a ex-ministra consegue mais intenções de voto do que Marques Mendes ou Nuno Morais Sarmento, mas também regista índices de rejeição altíssimos, sobretudo entre os eleitores mais velhos. Cristas, essa, continua de vento em popa — sozinha ou acompanhada, está apostada num resultado histórico para o CDS na capital.