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Política

Catarina Martins desafia Costa a mudar lei sobre venda de produtos de risco nos bancos

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Para além dos lesados do BES, cuja solução o Bloco diz que irá analisar com “muita atenção”, Catarina Martins chamou a atenção no Parlamento para o perigo de “mais lesados no futuro” existirem se não for proibida a venda de produtos perigosos aos balcões dos vários bancos

O Bloco de Esquerda (BE) desafiou esta quinta-feira o primeiro-ministro António Costa e o PS a mudarem a lei sobre a venda de produtos de risco aos balcões dos bancos, para que não haja "mais lesados" neste setor.

"O BE vai trazer de novo as propostas [ao Parlamento] para ver se fazemos caminho", assinalou Catarina Martins no debate quinzenal, dirigindo-se ao primeiro-ministro e lembrando que o BE apresentou no passado iniciativas legislativas sobre esta matéria que tiveram o voto contra de PSD e CDS e a abstenção do PS.

Na resposta, o chefe do Governo admitiu ser necessário "pôr na ordem" o sistema financeiro português, e reconheceu abertura para estudar propostas do Bloco nesta e noutras matérias. Em seguida, a coordenadora do Bloco criticou o que disse ser um "desconto" na Taxa Social Única oferecido pelo Governo nas negociações do salário mínimo e do seu aumento para 2017. "As empresas souberam há um ano, tiveram tempo para se organizar", nomeadamente a nível salarial e de acomodação de contas, vincou a bloquista.

António Costa declarou querer neste ponto uma "solução equilibrada", lembrando que na tarde desta quinta-feira decorre a reunião da Concertação Social, que poderá fechar o tema. "Sabemos o que está no programa do Governo, nos acordos que assinámos e a trajetória que está definida", prosseguiu o governante, falando nos 557 euros de salário mínimo em 2017 e 600 euros no final da legislatura.

Na reta final da sua intervenção, a coordenadora do BE questionou ainda António Costa sobre as parcerias público-privadas (PPP) na Saúde, advogando que se abre agora uma "oportunidade, sem nenhum custo de litigância", de reverter unidades como as de Braga e Cascais para a gestão pública.

"É uma sangria de recursos públicos. A urgência é fazer com que estes hospitais voltem para a gestão pública, é possível fazê-lo agora", declarou a líder bloquista, que sublinhou o gasto previsto de 448 milhões de euros em 2017 nestas PPP.

No entanto, por falta de tempo, o líder do executivo socialista não respondeu a este desafio da bloquista.