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Marcelo voltou a encontrar-se com os Comandos que vão para a RCA. E tirou mais uma foto

Esteve com os Comandos que vão para a República Centro-Africana em maio, na Amadora (foto da esquerda) e voltou esta quarta-feira a tirar uma foto com estes militares na Serra da Carregueira (à direita) e a prometer que iria visitá-los

Lusa

Pela segunda vez em sete meses, o Presidente da República deixou-se fotografar com os Comandos que seguem em breve para a República Centro Africana (RCA) e deixou o alerta: “Tereis uma tarefa que não será sempre fácil, nem isenta de risco”

Carlos Abreu

Jornalista

Duas fotos depois, a força militar portuguesa que em breve será destacada para a República Centro Africana recebeu esta tarde das mãos do seu comandante supremo, Marcelo Rebelo de Sousa, o estandarte nacional. A cerimónia decorreu no Regimento de Comandos na Serra da Carregueira, Belas. Tal como a 24 de maio, durante uma visita ao Comando das Forças Terrestre, na Amadora, o chefe de Estado voltou a fazer-se fotografar ladeado pelos 160 militares que até meados de janeiro estarão ao serviço da missão das Nações Unidas neste país.

“Sei bem que tereis uma tarefa que não será sempre fácil, nem isenta de risco no teatro de operações onde ireis ser projetados. Porém, o vosso elevado grau de prontidão, o treino operacional apurado e a vontade de bem cumprir são o garante de que estais preparados para superar os desafios que ides enfrentar”, afirmou o chefe de Estado no breve discurso às tropas na parada.

Marcelo lembrou ainda que a participação de Portugal na Missão Mutidimensional Integrada de Estabilização na República Centro Africana (Minusca) “assume especial relevância, não apenas no quadro das operações de manutenção de paz das Nações Unidas mas também porque demonstra a nossa solidariedade e o nosso empenhamento no contexto internacional”.

Oficialmente, o envio desta força militar para a República Centro Africana resultou de um pedido feito pela França que ficou “mais à vontade para diminuir a sua presença na RCA e consagrar mais esforços no combate ao Daesh na Síria”, tal como disse ministro da Defesa em entrevista ao Expresso em abril.

Com a missão na RCA “conseguimos realizar três objetivos: acolher plenamente o pedido francês; dar credibilidade ao Estado português na luta contra o terrorismo e na relação com a UE e ainda dar uma representação mais consistente ao Estado português na ONU. E ainda se pode invocar outra vantagem que não era antecipável, que é a candidatura de António Guterres a secretário-geral da ONU, que é valorizada com uma decisão desta natureza”, acrescentou Azeredo Lopes, que esta quarta-feira à tarde assistiu à cerimónia ao lado de Marcelo.

Os franceses, que estavam na RCA desde dezembro de 2013, deram por oficialmente concluída a missão Sangaris, a 31 de outubro.

António Cotrim / Lusa

“Respostas musculadas”

Dirigindo-se aos militares momentos antes de Marcelo, o chefe do Estado-Maior do Exército lembrou que esta missão decorrerá num “ambiente permissivo mas que poderá ser crítico”, já que poderão surgir “situações de desequilíbrio” durante as quais os operacionais poderão ter apresentar “respostas musculadas a situações de contingência que colocarão à prova todas suas competências e capacidades”. "O Exército acredita que esta força está bem preparada”, assegurou.

O general Rovisco Duarte lembrou ainda que “através da presença militar pretende-se prioritariamente assegurar a proteção da população civil mas esta missão inclui também um conjunto de tarefas que visam dar suporte ao processo de transição em curso, nomeadamente: o apoio às ações de ajuda humanitária, a promoção e proteção dos direitos humanos, o restabelecimento da justiça e da legalidade, o apoio aos processos de desarmamento, mobilização, reintegração e repatriação”

Com 4,5 milhões de habitantes, a República Centro-Africana, um dos países mais pobres do mundo, está mergulhado desde 2013 num conflito que opõe milícias dominadas por cristãos e muçulmanos que segundo as Nações Unidas já fez milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados.