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Bloco recusa que os contribuintes paguem “valores altos” aos lesados do GES

António Pedro Santos / Lusa

Catarina Martins disse esta noite na RTP 3 que não conhece a solução para compensar os lesados do papel comercial mas recusou que sejam pagos “valores altos” com o dinheiro dos contribuintes

A coordenadora do Bloco de Esquerda discorda que venham a ser pagos montantes consideráveis a lesados do Grupo Espírito Santo (GES) com dinheiro dos contribuintes. "Uma solução de valores altos pagos por contribuintes não é naturalmente aceitável", disse Catarina Martins em entrevista à RTP 3, depois de deixar claro que não conhecia a solução para compensar os lesados do papel comercial anunciada na segunda-feira.

"É óbvio que existe no grupo dos lesados do BES [GES] situações: pessoas que fizeram investimentos sabendo o que estavam a fazer e perderam e pessoas que firam autenticamente enganadas nos balcões do BES em Portugal e um pouco por todo o mundo julgando que estavam a fazer investimentos quase como se fossem depósitos a prazo, absolutamente seguros, e perderam tudo", disse.

E insistiu numa luta antiga do Bloco de Esquerda, voltando a insistir numa mudança da legislação em vigor que continua a permitir, em seu entender, que a situação volte a repetir-se.

"Tem sentido ainda não termos mudado a lei e darmos um sinal à banca de que pode continuar a brincar com a vida das pessoas que depois algum governo negociará uma solução?", perguntou Catarina Martins durante a entrevista à jornalista Ana Lourenço.

"É preciso parar de vender produtos de risco aos balcões dos bancos, porque há os lesados do BES [GES], há os lesados do Banif e continuaremos a ter lesados pró futuro. E uma das razões pela qual continuaremos a ter lesados é porque a banca continua a ser impune nas suas negociatas e nos enganos que faz às pessoas e nós já tentamos alterar essa lei", acrescentou.

"Era bom que o país conhecesse a solução e acho que é essencial mudar-se a lei porque caso contrário estamos a dizer ao sistema financeiro que pode continuar a brincar com a vida das pessoas, pode continuar a vender produtos de risco ao balcão e a enganar pessoas, que no fim cá estará um governo e os contribuintes para resolver o problema e isso não é de todo aceitável", rematou a coordenadora do Bloco de Esquerda.