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Dirigente do PS critica intervenção de Marcelo no caso Cornucópia

Sem nunca mencionar Marcelo Rebelo de Sousa, o deputado do PS Porfírio Silva deixa críticas ao “extravasar” dos poderes constitucionais do Presidente no caso do fim do Teatro da Cornucópia. Marcelo dirigiu-se no sábado ao teatro e serviu de mediador numa conversa entre a direção da companhia e o ministro da Cultura

A ida inesperada do Presidente da República este sábado ao Teatro da Cornucópia, onde 'mediou' uma conversa entre a companhia de teatro e o ministro da Cultura - que cancelou uma visita a Castelo Branco para poder estar presente - gerou críticas.

O deputado socialista Porfírio Silva mostrou-se contra o aproveitamento político do momento, ainda que sem nunca mencionar Marcelo Rebelo de Sousa. "Não fui ao velório de ontem, desde logo porque os compromissos com amigos me merecem tanto respeito como as instituições. Mas fiquei descansado em não poder ir quando antecipei que a ocasião iria ser mais um palco para algo que Eduardo Paz Ferreira descreveu, noutro contexto, como alguém “extravasar os seus poderes constitucionais”", escreveu Porfírio Silva num artigo publicado no seu blogue.

As declarações de Eduardo Paz Ferreira foram feitas em setembro, numa entrevista o jornal i, na qual o presidente do Instituto Europeu da Universidade de Lisboa defendeu ser "evidente" que Marcelo Rebelo de Sousa "está a ir muito para além dos poderes que tem na Constituição".

Usando a frase de Paz Ferreira, o deputado socialista deixou a crítica, enaltecendo a importância do Teatro Cornucópia e lembrando ter já ele próprio subido ao seu palco, enquanto "amador (amante) de teatro". "A Cornucópia é património nacional, não pode ser deitada fora. A Cornucópia é uma instituição, não pode ser descartada."

Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se no sábado ao Cornucópia, onde se encontrou com o seu fundador, Luís Miguel Cintra, e a codiretora do teatro. Quando o ministro da Cultura, Luís Castro Mendes, chegou, já decorria a conversa no palco do teatro e com vários atores presentes. "Senhor ministro, então já não foi a Castelo Branco", saudou o Presidente da República, citado pela Lusa. "Não, senhor, anulei a visita para vir aqui", respondeu Luís Castro Mendes. "Então sente aí, que estávamos aqui a ouvir, e eles estavam a narrar", retorquiu Marcelo.

No final da conversa, em declarações aos jornalistas, o ministro da Cultura disse que "a companhia anunciou o seu fim", mas que "as conversações estão a decorrer, estavam a decorrer e continuam a decorrer, e vão continuar a decorrer". Luís Castro Mendes referiu "há uma dotação para 2017 que é igual à dotação que tiveram em 2016", e que a renda do teatro "também está garantida até ao fim de 2017".

Marcelo chegou a propor um estatuto especial para que a companhia de teatro pudesse continuar a sua atividade.

O Teatro da Cornucópia foi fundado em 1973 por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo. A estreia deu-se com a peça "O Misantropo", de Molière, a 13 de outubro de 1973 no antigo Teatro Laura Alves, na Rua da Palma, em Lisboa, transformado numa sapataria. Na semana passada foi anunciado que o teatro fecharia as suas portas este sábado, dia 17.