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Socialista ‘fura’ voto de Costa

Marcos Borga

Maria João Rodrigues votou contra Acordo de Comércio com Canadá que Costa considera “claramente positivo”

A eurodeputada do PS e uma das conselheiras de António Costa em assuntos económicos, Maria João Rodrigues, tem reservas e preocupações sobre o Acordo de Comércio entre a União Europeia e o Canadá. Defende que não são suficientes para bloquear o chamado CETA, mas ainda assim votou contra este Acordo na comissão parlamentar do Emprego e dos Assuntos Sociais.

A eurodeputada explica que o fez porque seguiu a orientação da coordenadora do Grupo dos Socialistas e Democratas, Jutta Steinruck. “Estava numa situação de substituição da coordenadora de emprego, uma alemã, que não pôde estar presente e que me pediu para a substituir”, afirmou ao Expresso, adiantado que — apesar de também ter direito a voto — “teve de votar como ela votaria”. Ao mesmo tempo, também considera “útil” que a comissão “tenha exprimido reservas através de uma opinião” que é desfavorável ao CETA. As preocupações estão relacionadas com uma possível diminuição dos padrões sociais e de emprego na UE por causa do entendimento comercial com os canadianos, e que, segundo a deputada, devem ser tidas em conta quando o assunto for levado a plenário, no início de fevereiro.

Nessa altura, Maria João Rodrigues deverá mudar o sentido do voto, até porque a delegação portuguesa do PS em Bruxelas e também o Governo têm uma posição favorável ao Acordo de Comércio com o Canadá. António Costa tem defendido que o CETA é “um acordo claramente positivo” e um “bom exemplo de como a União Europeia pode ser útil para ajudar a uma globalização mais regulada”. Em outubro, o CETA esteve perto de cair por terra por causa da oposição do governo regional belga da Valónia. Nessa altura, o primeiro-ministro argumentou, em Bruxelas, que o entendimento com os canadianos permitia “reforçar os padrões de proteção social, de proteção ambiental e de saúde pública”.

O Acordo com o Canadá acabou por ter a luz verde dos belgas, e seguir em frente, mas em fevereiro será discutido no Parlamento Europeu, que também terá de dar o seu “consentimento”. “O grupo (dos socialistas e democratas) está divido, mas a posição predominante é viabilizar”, diz Maria João Rodrigues, acrescentando que a posição “pessoal” está alinhada com a dos socialistas portugueses. A opinião da Comissão Parlamentar de Emprego não é vinculativa e por isso, justifica, deve ser “relativizada”.

A socialista foi esta semana reeleita vice-presidente do Grupo dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu, passando a ter “funções de coordenação geral do grupo”, o que inclui também conduzir “a orientação do voto” da bancada dos socialistas em plenário.