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Passos Coelho: “Temos quase a certeza de que haverá uma nova crise” na Europa

José coelho/ Lusa

O líder do PSD considerou que existem “muitas vulnerabilidades financeiras e económicas na Europa e na zona Euro”

O presidente do PSD disse esta sexta-feira num debate sobre o Futuro da Europa e o Plano Juncker ter "quase a certeza de que haverá uma nova crise" por existirem "muitas vulnerabilidades financeiras e económicas na Europa e na zona Euro".

"Temos quase a certeza de que haverá uma nova crise, não sabemos quando, mas sabemos que haverá. Nós gostaríamos de estar bem preparados quando ela acontecer e ainda não estamos, não se tem sentido devidamente a acuidade que este problema tem", disse Pedro Passos Coelho, que falava no Porto.

"Em Portugal estamos a perder tempo, neste momento. Durante alguns anos aproveitamos, às vezes em circunstâncias muito difíceis, o tempo que nos deram para fazer reformas e agora aquilo que vemos é reversão atrás de reversão de reformas", considerou.

"As próximas são as leis laborais. Nós que quisemos fazer, até ao contrário da Espanha, uma reforma das leis laborais em contexto de negociação e de concertação social, fizemos mesmo um acordo estratégico de concertação social para suportar a reforma laboral que fizemos, só não esteve lá a CGTP, que nunca está para acordo estratégico nenhum, tirando isso todos os parceiros sociais acordaram nesta reforma, e o que está em agenda é a reversão dessa reforma", referiu.

Passos Coelho prosseguiu: "os membros do Governo e o ministro Vieira da Silva dizem que é para reequilibrar as coisas. Quando nós pensávamos que isto estava justamente muito desequilibrado e era por estar muito desequilibrado que o desemprego era grande, que os jovens não tinham oportunidades, que o mercado laboral não tinha o dinamismo suficiente e que o crescimento da economia não suportava a atração suficiente do investimento direto externo que nós precisamos para crescer".

"Se vamos reverter também estas reformas, os resultados não vão ser bons para Portugal e se não forem bons para Portugal também não serão bons para a Europa, mas os mesmos que estão a preparar estas reversões serão aqueles que vão culpar o euro e o projeto europeu do fracasso da política económica que estará no final da rua desta decisão e desta orientação política", considerou.

Em seu entender, "o futuro da Europa que queremos não é muito diferente do futuro da Europa que era desejado há 40 ou 50 anos quando todo este caminho começou: poder ter confiança no futuro, ver prosperidade e uma igualdade de oportunidades para que todos posam livremente, desde que respeitando a liberdade dos outros, fazer as suas escolhas, melhorar a sua situação, ter mobilidade para futuro, ter paz e segurança".

"Isso é essencial para combater os populismos mas, para isso, a Europa ainda tem de fazer reformas importantes e cada um que embarcou no projeto europeu, e foram sempre cada vez mais ao longo dos últimos anos, tem de assumir também as suas responsabilidades", disse Passos Coelho.

Considerou que "a Europa do futuro a que estamos ligados depende e muito daquilo que soubermos fazer por nós próprios e pela Europa em conjunto e esse papel não se faz com demagogias faz-se muito pragmaticamente tomando as decisões de política que são necessárias, política económica, de política social, mas também na aposta dos valores e pelos princípios que nos orientam dentro da Europa. E a afirmação desses valores e desses princípios é hoje crucial para que a Europa que desejamos no futuro seja esta Europa de paz, de prosperidade e de confiança".

O debate sobre o Futuro da Europa e o Plano Juncker foi organizado pelos eurodeputados Paulo Rangel e José Manuel Fernandes, no Palácio da Bolsa, no Porto.