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Passos ironiza: depois de Macedo na CGD, Governo pode ir buscar Crato

Paulo Cunha / Lusa

“Já chamaram o ex-ministro que estava a desmantelar o SNS para tratar da Caixa Geral de Depósitos, ainda não nomearam o Nuno Crato para coisa nenhuma, ainda não chegaram lá”, ironizou o ex-primeiro-ministro

O líder do PSD criticou as políticas do Governo na Saúde, ironizando que após a ida de Paulo Macedo para a Caixa Geral de Depósitos, o ex-ministro Nuno Crato possa ser também chamado pelo executivo.

“Muita conversa, muita propaganda, que afinal iria haver recursos, que iam contratar tudo o que era preciso, que não ia faltar nada, nós é que andávamos a desmantelar o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Já chamaram o ex-ministro que estava a desmantelar o SNS para tratar da Caixa Geral de Depósitos, ainda não nomearam o Nuno Crato para coisa nenhuma, ainda não chegaram lá”, ironizou Pedro Passos Coelho.

O líder do PSD, que falava em Fronteira, no distrito de Portalegre, durante o jantar de Natal da Comissão Política Distrital de Portalegre do PSD, criticou o Governo pelas dívidas existentes no setor da saúde, defendendo que os pagamentos devem ser feitos “a tempo e horas”.

“Depois de todos os sacrifícios que fizemos, não devíamos estar nesta situação. Se há dinheiro para tanta coisa, pelos vistos não há dinheiro no SNS, para que se pague o que se deve a tempo e horas e se possa prestar progressivamente um bom serviço às pessoas”, questionou.

Sobre o Boletim Económico de dezembro, publicado esta quarta-feira, Pedro Passos Coelho considerou que a situação “não pode ser satisfatória”.

“A previsão de que vamos passar os próximos quatro anos a crescer menos do que crescemos em 2015 não pode ser satisfatória. Se alguém no Governo está muito contente com esta perspetiva, eu acho que é lamentável porque nós vamos ter mais problemas”, disse.

No Boletim Económico de dezembro, publicado esta quarta-feira, o BdP atualizou as suas projeções de crescimento para a economia portuguesa para os anos de 2016 a 2019 e diz esperar agora que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,2% este ano, ligeiramente acima dos 1,1% antecipados em outubro, mas piorou o do próximo ano, para 1,4%, estimando uma taxa de crescimento para 2017 mais pessimista do que a do Governo.

Durante o seu discurso, Pedro Passos Coelho defendeu que os governos, em tempos de eleições “devem ser isentos” e “abstrair-se” de se envolver nas campanhas eleitorais, situação que considera não está a ocorrer nesta altura.

“O Governo ainda não marcou a data das eleições autárquicas, mas isenção já não tem nenhuma. Já programou, com tempo, aumentos das pensões em vésperas da campanha eleitoral, aumento do subsídio de refeição, integração dos precários no mês das eleições, isto não tem isenção nenhuma, porque é que não fazem antes, nós propusemos isso”, disse.

Na sua intervenção, o líder do PSD criticou ainda como os partidos que apoiam o Governo “exibem” os membros do executivo em várias ações, defendendo que os ministros deveria ter “mais cuidado” como se apresentam no país.

“Era bom, que depois deste primeiro ano de aprendizagem, que os membros do Governo tomassem mais cuidado na maneira como aparecem no país. Como se juntam em visitas preparadas pelas estruturas partidárias, não devem ser as estruturas partidárias a preparar as visitas dos ministros”, defendeu.

“Era esta uma boa oportunidade para os membros do Governo refletirem bem e, realmente, mudarem, arrepiarem caminho e deixarem esta forma tão partidária e tão pouco isenta de desenvolverem as suas funções”, concluiu.