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Política

PCP alerta para abandono das populações pelos CTT e "despedimento coletivo encapotado"

PCP criticou no Parlamento o processo de privatização da empresa, seus objetivos economicistas e negligência pelo serviço público

O deputado comunista Bruno Dias alertou hoje para aquilo que considera ser um "despedimento coletivo encapotado" em curso nos CTT e o abandono a que estão a ser votadas populações do interior e ilhas.

Em declaração política no parlamento, o deputado do PCP criticou o processo de privatização da empresa, seus objetivos economicistas e negligência pelo serviço público e estranhou "nem uma carta, nem um postalzinho" da oposição (PSD/CDS-PP), uma vez que os seus deputados se remeteram ao silêncio, "sabe-se lá com que pesos na consciência".

"O serviço postal sempre foi vital para as populações, particularmente no interior do país ou nas ilhas, com a ligação à vida, contrariando o isolamento e o abandono. Encerraram escolas, tribunais, juntas de freguesia. Encerraram centenas de estações e postos dos CTT - 564 desde 2009. E, agora, é a própria distribuição de correio que está a ser degradada", insurgiu-se.

Bruno Dias lamentou a anunciada "otimização de recursos humanos" que considerou ser um "autêntico despedimento coletivo encapotado", estando em causa 75 postos de trabalho por proposta de rescisão, ao mesmo tempo em que os CTT apresentam "lucros de 46 milhões entre janeiro e setembro" e que "em 2015 foram de 72,1 milhões de euros".

"Chega a haver 15 dias de atraso ou mais na chegada de vales postais com as pensões de reforma e, depois, o reformado vai de estação em estação e não há dinheiro em lado nenhum", descreveu, adiantando existirem "132 situações em 55 centros de distribuição postal com ‘giro de dobra', ou seja, recorrendo à disponibilidade de carteiros que trabalham para além do que lhes está atribuído na sua jornada".

Bruno Dias condenou ainda que "as estações" tenham sido "transformadas em bazares e os trabalhadores em vendedores de livros, discos, material de papelaria, etc".

"Agora, como se não fosse bastante, meteram um banco dentro dos Correios, com todas as exigências de serviço e funcionamento para trabalhadores e atendimento às populações", lamentou, acrescentando que há "dezenas de estações com filas e tempos de espera insuportáveis enquanto são colocados funcionários na empresa não no atendimento postal, mas no serviço bancário".

O deputado do BE Heitor de Sousa recordou a aprovação por unanimidade do requerimento do PCP para ouvir representantes dos trabalhadores dos CTT e a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) na comissão parlamentar respetiva e questionou sobre se as limitações, em alguns locais, de entrega de correio só uma vez por semana não deviam já merecer a atuação da entidade reguladora.

"Os CTT eram um exemplo excelente da prestação de bons serviços a nível nacional e internacional. Uma empresa contribuinte líquida de receitas para o Estado, apesar da gestão questionável da responsabilidade dos últimos conselhos de administração e de quem os nomeou. Não se compreende a privatização, negligenciando o serviço público e só atendendo aos lucros para distribuir pelos acionistas", criticou o ecologista José Luís Ferreira.

O deputado socialista Carlos Pereira acusou PSD e CDS-PP de "tudo privatizarem, a torto e a direito, incluindo setores estratégicos do país, sem olhar às necessidades das populações", como os CTT, por exemplo.