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Ferreira Leite garante que nunca discutiu créditos dados pela CGD quando foi ministra

TIAGO PETINGA/ Lusa

Antiga ministra das Finanças no Governo de Durão Barroso assegura que a interferência que teve na administração da CGD entre 2002 e 2004 “foi nula” e garante que o banco público era, na época, “uma instituição acima de qualquer suspeita”

No período em que foi ministra das Finanças, entre 2002 e 2004, Manuela Ferreira Leite garante que nunca teve qualquer tipo de interevenção ou discussão sobre os créditos atribuídos pela Caixa Geral de Depósitos aos seus clientes. “Foi assunto sobre o qual nunca sugeri nenhuma acção nem me foi pedida opinião, porque a atribuição de créditos não eram assunto a discutir com o poder político”, assegurou.

As palavras de Manuela Ferreira Leite foram proferidas durante a audição de que está a ser alvo na Comissão Parlamentar de Inquérito ao processo que conduziu à necessidade de recapitalização da Caixa Geral de Depósigtos, onde está a ser ouvida na condição de antiga Ministra das Finanças, no Governo de coligação PSD-CDS liderado por Durão Barroso.

“Não vai haver ninguém da administraçao da CGD que seja capaz de dizer que algum dia eu tenha perguntado por alguma operação de crédito. Nem nunca sugeri nada. Não fazia parte da minha função falar sobre crédito”, insistiu, concluindo mais à frente que a sua interferência direta na administração da CGD enquanto ministra das Finanças “foi nula”.

Questionada pelos deputados sobre o nível de imparidades que o banco público tinha nessa altura - e sobre a atribuição de créditos que poderão ter contribuído, nos anos seguintes, para o acréscimo dessas imparidades - Manuela Ferreira Leite começou por defender que “acertar nos prognósticos à segunda-feira é fácil”. “Muitos dos negócios que se podem considerar que não foram bem sucedidos, tinham um certo enquadramento na altura em que eram decididos, porque eram importantes para a economia”, exemplificou.

A propósito das imparidades, de resto, Ferreira Leite assegurou que entre 2002 e 2004 não teve qualquer informação específica sobre essa matéria. Até porque, recordou, “a CGD era uma instituição que estava acima de qualquer suspeita”, sendo que há 15 anos vivia “uma situação económica e financeira absolutamente sólida e sem discussão”.

Aliás, sobre o período em que teve responsabilidade na tutela da CGD, Ferreira Leite deixou outra garantia: as provisões feitas pela administração do banco público para precaver eventuais perdas “foram feitas nao a 100 % mas mais de 100%”. “Eram provisões consideradas exageradas. Mas a administração da CGD - talvez para que não houvesse a tentação de ir buscar mais receitas - fez isso”, explicou, depois ter admitido que houve apenas uma situação em que exerceu “alguma pressão” sobre a administração da Caixa.

“O país tinha um défice para corrigir e uma vez, por altura das contas da CGD, tentámos aumentar a participação do Estado nos lucros dos 50% para os 60% ou 70%”, contou, recordando que na altura a CGD tinha lucros anuais na ordem dos 700 milhões de euros. “Mas nem eu fui além de uma tentativa de obter uma maior participaçao, nem o presidente da CGD se subordinou a esse pedido. Não o cumpriu. Portanto, tanto um como outro ficámos nos limites das nossas competências: defendemos os interesses do país e da CGD”, sintetizou.

Sobre a intervenção direta que teve na CGD, Ferreira Leite sublinhou que ela se cingiu a “dois pontos de natureza estrategica”. Um primeiro sobre a posição da CGD em Espanha e outro sobre a organização da administração do banco público. E em ambos os casos sem grande efeito. No primeiro plano, porque o projecto de crescimento através da compra de bancos no mercado espanhol fracassou; e no caso da remodelação do modelo de gestão da CGD, porque o tema chegou a ser discutido em conselho de ministros mas “ao fim de dois ou tres dias tivemos a noticia de que primeiro-ministro [Durão Barroso] ia abandonar funções e portanto não chegou a ter seguimento do nosso mandato”, explicou.