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Eurodeputado do MPT muda-se para a bancada do PSD e CDS

“Diferenças” com os Liberais levam José Inácio Faria a mudar-se para a família política do Partido Popular Europeu

José Inácio Faria estreou-se esta semana na bancada parlamentar do Partido Popular Europeu (PPE), em Estrasburgo. O eurodeputado do Movimento Partido da Terra (MPT) deixou o grupo da Aliança dos Democratas e Liberais (ALDE) devido a "diferenças" que se acentuaram ao longo do tempo. Diz que a "gota de água" foi a posição do grupo aquando da discussão sobre o congelamento de Fundos a Portugal e a Espanha.

Já durante o diálogo sobre a eventual suspensão de dinheiros comunitários, José Inácio Faria tinha mostrado discordância e desconforto com a posição do ALDE e com o que considerou ser "uma postura claramente neoliberal" e de "aplicação cega das regras". Ao Expresso, adianta que foi esse momento que o levou "a tomar uma decisão que já estava a ponderar há algum tempo".

Mas também dentro do Partido Popular Europeu houve vozes que defenderam a aplicação das regras e a suspensão parcial de fundos aos dois países ibéricos. "O PPE esteve dividido mas o meu grupo nem sequer dividido esteve", argumenta, no entanto, José Inácio Faria, que procura agora um novo espaço na maior bancada do Parlamento Europeu.

Ao mudar para o PPE, o eurodeputado mantém o lugar que já tinha na comissão do Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar. Para Paulo Rangel, vice-presidente do grupo do PPE, a bancada ganha com "a componente ecológica" do MTP e soma mais um deputado, cujo partido tem "afinidade de valores" com a família política de centro direita.

A delegação de deputados portugueses dentro do PPE (que inclui PSD e CDS) também cresce e passa ter oito deputados, o que pode ser uma mais valia, por exemplo, na gestão de tempos de palavra dentro do grupo.

"Não é uma mudança radical", diz José Inácio Faria, "é uma mudança de sigla", adianta. Contacto pelo Expresso, o ALDE, "deseja sucesso" ao ex-membro. José Inácio Faria é o segundo eurodeputado dos Liberais a mudar-se para o PPE durante a presente legislatura. O movimento inverso também já aconteceu.

Coligação nas europeias de 2019?

José Inácio Faria deixa a bancada de Marinho e Pinto e junta-se à dos deputados do PSD e também de Nuno Melo, do CDS.

Os três partidos têm sabido entender-se e coligar-se ao nível do poder local. "São os partidos com quem fazemos coligações", diz José Inácio Faria. No entanto, o eurodeputado diz que é ainda "prematuro" falar de uma coligação com PSD ou CDS nas próximas eleições europeias, em 2019.

"Há um percurso que eu tenho de trilhar no PPE", diz ao Expresso, adiantando que "o futuro só a Deus pertence".

Já Paulo Rangel diz que não vê qualquer "sinal de ligação futura" na ida de Inácio Faria para o Partido Popular Europeu. E acrescenta que ainda é cedo para falar em listas. Nas últimas europeias, PSD e CDS - que formavam uma coligação de governo – foram coligados a eleições.

José Inácio Faria chegou ao Parlamento Europeu em 2014. Era o segundo da lista do Movimento Partido da Terra, que elegeu também Marinho e Pinto. Os dois eurodeputados decidiram, na altura, juntar-se ao grupo político do ALDE, mas desentenderam-se em Bruxelas, o que levou Marinho e Pinto a deixar o MPT. Em comum, os dois deputados tinham apenas a bancada política. Uma ligação que termina agora.