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Novo CEMA promete “brio marinheiro”, imaginação e dinâmica face a escassez financeira

NUNO FOX / Lusa

O almirante Silva Ribeiro agradeceu e elogiou o desempenho do seu antecessor Macieira Fragoso, que esteve ausente da cerimónia de apresentação do novo chefe do Estado-Maior da Armada

O chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) prometeu esta segunda-feira "brio marinheiro", imaginação e dinâmica para fazer face à escassez orçamental e valorizar a Marinha e a Autoridade Marítima Nacional (AMN), durante a sua cerimónia de apresentação, em Lisboa.

O almirante Silva Ribeiro, 59 anos, empossado este sábado sábado pelo Presidente da República sob proposta do Governo, discursou esta manhã perante as respetivas hierarquias daquele ramo das Forças Armadas, após receber as honras militares e ser saudado com uma salva de 19 tiros protagonizada pelo navio de patrulha oceânica Viana do Castelo, desde o rio Tejo, junto às instalações da Ribeira das Naus.

"São bem conhecidas as dificuldades decorrentes da escassez de recursos financeiros. Face às circunstâncias do país, de nada nos servem lamentações sobre os males atuais ou esperanças vãs de reforços substantivos do orçamento, porque esta mistura leva ao adiar das decisões, degradação dos meios materiais e desmotivação do pessoal", afirmou, receitando "trabalho estruturado no brio marinheiro".

O ex-diretor-geral da AMN e comandante-geral da Polícia Marítima agradeceu e elogiou o desempenho do seu antecessor Macieira Fragoso, que esteve ausente, e mostrou-se "honrado, lisonjeado e satisfeito" por merecer a designação de CEMA, referindo os seus 42 anos de serviço, com a garantia de "continuar exatamente como até aqui - útil às duas instituições (Marinha e AMN) e ao país".

"Potenciar e renovar sinergias com o Arsenal do Alfeite", "recrutar em quantidade e qualidade homens e mulheres" e "criar o programa 'Viver o Mar', a cargo da Marinha para despertar ou reforçar as vivências do mar em segurança", foram algumas das ideias apresentadas por Silva Ribeiro.

O CEMA distinguiu "três linhas de ação estratégica: fomentar o desempenho pessoal e institucional (estimular a imaginação das pessoas e sua iniciativa), melhorar a capacidade de superar dificuldades em pessoal e material (numa atmosfera inovadora e dinâmica, de livre pensamento e ação responsável), com novos modelos para rentabilizar recursos, nomeadamente guarnições múltiplas, partilha de infraestruturas, centralização de serviços comuns e desmaterialização de processos", bem como a "captação de fundos comunitários", considerados "uma ferramenta muito útil".

Por fim, Silva Ribeiro destacou a necessidade de "aproveitar todas as oportunidades existentes (aperfeiçoar processos de trabalho na manutenção e renovação da esquadra e outro meios náuticos), sendo que as atividades para operacionalizar estas "linhas de ação" ficarão definidas "até 15 de janeiro".

"As atitudes precisam de continuar a ser reguladas por um forte espírito de colaboração e cooperação recíprocas, extensível aos parceiros nacionais e internacionais", devendo-se "tratar com objetividade os problemas e manter permanente a atmosfera da dignidade", pois "os princípios éticos e morais que estão na base destas atitudes fundamentais são inegociáveis", disse.

Silva Ribeiro foi superintendente do Material, diretor-geral do Instituto Hidrográfico, subchefe do Estado-Maior da Armada, Secretário do Conselho do Almirantado e Vogal da Comissão Consultiva de Busca e Salvamento, além de professor catedrático convidado do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

Segundo o princípio da rotatividade entre os ramos e a manifesta intenção do Governo, o atual CEMA pode vir a ser nomeado chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas no verão de 2018, uma vez que o general do Exército Pinto Monteiro atinge o limite de idade (66 anos).