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Melícias: Guterres é “uma espécie de Papa Francisco civil”

António Guterres abraça o padre Vitor Melícias na cerimónia de entrega do prémio "Personalidade do Ano 2005" atribuído ao então alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, uma iniciativa da Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal

Tiago Miranda

O padre Vítor Melícias assiste esta segunda-feira em Nova Iorque ao juramento do seu amigo de há 50 anos como secretário-geral da ONU

O padre Vítor Melícias, que vai esta segunda-feira assistir “com grande alegria”, em Nova Iorque, ao juramento de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas, compara o amigo de 50 anos a “uma espécie de Papa Francisco civil”.

Em declarações à Lusa e Antena 1 a bordo do avião que o transportou no domingo de Lisboa a Nova Iorque – e onde também seguia o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que não prestou declarações à comunicação social –, o padre franciscano destaca o perfil de António Guterres para as funções que exercerá a partir de 1 de janeiro.

“Este homem tem sido em toda a sua vida um exemplo de grande inteligência e de grande coração, ele põe a prioridade nos outros e no serviço dos outros, é amigo dos pobres e inimigo da pobreza, é amigo da paz e inimigo da guerra. Às vezes até quase que me lembra uma espécie de Papa Francisco civil”, sugere.

O padre Vítor Melícias, que se considera parte da “família afetiva” do antigo primeiro-ministro português, salienta que este é, porventura, o cargo que António Guterres sempre desejou. “Ele tem desenvolvido imensas funções, presidente da Internacional Socialista, foi primeiro-ministro, alguns queriam que se candidatasse a Presidente da República. Eu julgo que este tipo de funções são aquelas que ele sempre desejou e para as quais tem um perfil efetivamente, estar ao serviço da Humanidade e dos valores”, refere.

Lembrando uma amizade de 50 anos – que começou nos tempos de estudante e no “Grupo da Luz”, um espaço de discussão religiosa e social que integrava, entre outros, o próprio Marcelo Rebelo de Sousa –, Vitor Melícias não esconde a sua satisfação pelos altos cargos que ambos ocupam.

“Como dupla não podia ser melhor, um na Presidência da República, outro nas Nações Unidas, melhor que isto não era possível”, disse, considerando-os, embora diferentes, “duas pessoas que conjugam muito bem o verbo servir e o verbo respeitar os outros”.

Com Guterres tem falado nos últimos dias por telefone e diz senti-lo “feliz e disponível”: “Sinto-o feliz porque encontra nas Nações Unidas condições para desenvolver este seu papel”.

“Obviamente, por ele, dá-me uma enorme satisfação e segurança de que prestará um grande serviço à Humanidade, as circunstâncias serão aquelas que o mundo lhe proporcionará, oxalá lhe sejam favoráveis”, acrescentou o padre que casou António Guterres e é também o seu confessor.

A partir das 10h desta segunda-feira em Nova Iorque (15h de Lisboa), na sede da ONU, na sala da Assembleia Geral, perante representantes dos 193 estados-membros, António Guterres prestará juramento como secretário-geral das Nações Unidas, cerimónia a que assistirão o Presidente da República e o primeiro-ministro portugueses.

A cerimónia é antecedida por uma homenagem ao secretário-geral cessante, Ban Ki-moon, que fará o seu último discurso como secretário-geral perante o plenário.

Ao final do dia, por volta das 18h locais, o Presidente da República oferece uma receção para cerca de 800 pessoas na Sala de Jantar dos Delegados, também na sede da organização.