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Guterres está habilitado para “o lugar de maior pressão” no mundo 

JOÃO RELVAS/LUSA

Augusto Santos Silva reitera que António Guterres era o candidato que apresentava melhores condições para suceder a Ban Ki-moon no cargo de secretário-geral da ONU

O ministro dos Negócios Estrangeiros reafirmou esta segunda-feira, em Bruxelas, a sua convicção de que o recém-empossado secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, está "completamente habilitado" para o cargo "de maior pressão que existe no mundo".

Em declarações aos jornalistas após uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, sensivelmente na mesma altura que Guterres era empossado como 9º secretário-geral da ONU, com o juramento sobre a Carta das Nações Unidas, Augusto Santos Silva comentou também que hoje mesmo os chefes de diplomacia europeus sublinharam o facto "tranquilizador" de, num contexto complexo, saberem que o novo responsável máximo da ONU tem relativamente ao conflito da Síria "uma perspetiva muito próxima da UE".

Questionado sobre se António Guterres não terá demasiada pressão sobre os ombros face às expetativas geradas em torno de si, Santos Silva retorquiu que "pode-se sempre responder a essa pergunta com uma bela frase de Fernando Pessoa, que escreveu «eu sou do tamanho do que vejo, e não do tamanho da minha altura»".

"E a visão que António Guterres apresentou em abril na assembleia-geral das Nações Unidas, quando formalizou a sua candidatura, mostra bem o tamanho do que ele vê", observou.
O ministro apontou que "quem se candidata a secretário-geral das Nações Unidas sabe que se candidata ao lugar de maior pressão que existe no mundo", e recordou "o que disse várias vezes durante a campanha" para a liderança da ONU: "entre as personalidades disponíveis para os tempos de hoje e para os desafios de hoje, (Guterres) era o que tinha melhores condições" para exercer o cargo.

"Quando nós tivemos ocasião de perguntar ao engenheiro António Guterres se aceitaria que o Governo português propusesse a sua candidatura, todos nós sabíamos, incluído ele, a que tipo de pressão ele se iria candidatar. Eu, que julgo conhecê-lo bem, posso dizer que me parece completamente habilitado para esse tipo de pressão", declarou.

Relativamente ao caso particular do conflito na Síria, hoje mesmo abordado na reunião dos chefes de diplomacia da UE, Santos Silva disse que lhe parece, tal como aos seus homólogos, que Guterres também é a pessoa indicada, dada a sua sensibilidade para "a urgência absoluta" de uma solução.

"Sem cometer nenhuma inconfidência, posso dizer que esse foi um dos pontos assinalados no decurso do nosso almoço informal, porque o secretário-geral sabe ele próprio que tem na Síria, e em particular a situação que se vive em Alepo, uma urgência absoluta, e a perspetiva com que o secretário-geral entra é uma perspetiva muito próxima daquela que a UE também subscreve".

Segundo Augusto Santos Silva, numa altura em que se vivem "momentos de alguma suspensão de juízos", porque não se sabe "que evolução vai ter a política externa norte-americana" e há sempre "a evolução da posição da Rússia como ator regional no Médio Oriente", é "tranquilizador saber que não só a UE se mantém unida em torno da sua posição, como contará no novo secretário-geral das Nações Unidas com uma pessoa cuja perspetiva sobre o conflito e sobre as soluções possíveis para o conflito é uma perspetiva muito próxima da (perspetiva) da UE".