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Política

“Eu é que sou um bom auxiliar do Presidente Marcelo!”

Alberto Frias

Entrevista a José Luís Carneiro, secretário de Estado das Comunidades

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

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Jornalista da secção Política

Alberto Frias

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Fotojornalista

Nem onze nem dezasseis. Ninguém sabe com rigor quantos somos (“porque há uma percentagem muito elevada de portugueses pelo mundo que não está inscrita nos consulados”) mas as estimativas apontam para 11 milhões de residentes, 2,2 milhões de emigrantes, 2,5 milhões de lusodescendentes. Mas se há certeza que José Luís Carneiro tem é a de que teremos de nos habituar, “cada vez mais”, a níveis elevados de emigração, “por força da mobilidade social e económica”. Entrevista com o secretário de Estado das Comunidades numa época em que muitos portugueses voltam à pátria.

O agudizar da situação política e económica na Venezuela, no Brasil e em Angola provocou o regresso antecipado de emigrantes portugueses?
Há indícios, pequenos ainda, que mostram que a estabilização da situação político-social em Portugal está a conduzir ao regresso de portugueses que saíram do país nos últimos cinco anos. Mas é um facto que as circunstâncias que se vivem nalguns países também têm contribuído para isso.

Tem números? Já voltámos ao nível de emigração anterior a 2011?
Por força da mobilidade social e económica, cada vez mais teremos de nos habituar a níveis altos de emigração. Os dados que temos (de 2015) dizem-nos que dos 500 mil que saíram entre 2011 e o principio de 2015, 200 mil voltaram ao país ao fim de um ano. Mas a tendência cada vez mais consolidada é para a mobilidade laboral por força da integração das economias e da própria globalização. Daí que faça cada vez mais sentido pensar em políticas integradas. E por isso criámos uma equipa transversal da alta administração — com representantes da internacionalização, da indústria, do turismo, da segurança social, do ensino superior, dos assuntos fiscais e da justiça — que reúne mensalmente, sob a minha esfera, para dar celeridade processual a assuntos que nos são colocados nos postos consulares e gabinetes de apoio ao emigrante.

Pode falar-se de “fuga de cérebros”? É um movimento que importa estancar?
A inserção dos portugueses altamente qualificados no mundo é um ativo essencial do Estado português! Foi, aliás, o que fez de Portugal, pequeno Estado de recurso exíguos, um país global, de cooperação e diálogo. Por alguma razão tivemos o apoio que tivemos na eleição de António Guterres como secretário-geral da ONU: tem muito que ver com essa imagem de Portugal.

Como vai ser a relação da comunidade portuguesa nos EUA com a administração Trump?
Temos portugueses com um elevado nível político de inserção nos mais variados patamares de poder, quer nos democratas quer nos republicanos, e essa é a melhor garantia da manutenção das boas relações entre Portugal e os EUA.
Os portugueses no Reino Unido podem ficar tranquilos depois do ‘Brexit’?
Temos ainda um tempo que nos vai permitir percecionar de forma mais clara como é que isso se vai processar. Para já estamos a reforçar os meios humanos nos serviços consulares de Londres e Manchester por forma a garantir informação e esclarecimento a quem os procure.

O Presidente tem sido um bom auxiliar na sua missão junto das comunidades?
Eu é que sou um bom auxiliar do Presidente! Mas o PR tem tido uma função essencial na valorização dos portugueses no mundo. A decisão (conjunta com o PM) de comemorarem o 10 de Junho fora de Portugal tem um relevo imenso na autoestima e na reconciliação dos portugueses com o seu país de origem.

Há um ano eram públicas as suas reservas a esta solução de Governo. Mudou de opinião?
A forma como o PM desempenhou suas funções e como todo o Governo procurou garantir os compromissos com as instituições internacionais e, ao mesmo tempo, com o programa eleitoral, fizeram com que eu seja hoje um dos que dizem que esta fórmula foi acertada. Fui candidato a deputado pelo Porto, vivi bem, enquanto líder dos autarcas socialistas, o combate local contra muitas das opções do Governo anterior e é com sentimento de dever cumprido que faço o balanço deste ano.